O MacGuffin: Junho 2009

segunda-feira, junho 29, 2009

"That's a cool name"

"I hate that word, it's so Daily Mail"

Now, one more thing while I'm at it. Google is a marvellous thing, we'll mostly agree on that. But it does get people HERE under the wrong impression. Every day I get several dozen visits to this little blog-home of mine via searches such as "Ingleses em Portugal" "Vida moderna em Portugal" "Estrangeiros Portugal" etc. all of which lead people to various articles of mine that are being less than generous to this country, instead of to posts that suggest that I MIGHT JUST BE TAKING THE PISS, although everything is based in truth. Every few days I either get a comment left or an email that then says "who the fuck are you?" or "get out of my country!" or "I don't live there any more, but how dare you say bad things about Portugal?!" or even "We know where you live". Right. Listen. I'm going to say these following things only once more because, if you have paid attention above you'd know, I am too damn busy to keep deleting the shit. I am going to attach so much bloody meta data to this post that google will just see it first even if you google "are there ants on Mars and are they green?" Ready? And forgive me if I sound a bit pissy and a bit goddam arrogant. But, damn it, I have earned the right to. So bloody there.

1. In October 2009, I will have lived in this country for ten years. I speak fluent Portuguese, shockingly so for a Briton. I live my life in Portuguese, I watch Portuguese television, I read Portuguese newspapers. I occasionally write in Portuguese and I get words wrong and I get jumped on for it. My kids go to Portuguese schools. I remain resolutely British, but I live my life HERE, with my Portuguese friends and my Portuguese family. I'm a Briton, I'm British. I'm NOT a Brit. I hate that word, it's so Daily Mail.

2. My husband is Portuguese and is quite a clever bloke and agrees with virtually everything I say about Portugal (except he loves eating fish brains), as do most of my Portuguese friends, although they are allowed one disagree per week, if they behave.

3. Portugal IS a beautiful country, but it DOES have many faults and is badly looked after by many Portuguese people.

4. The "Portuguese way of life" is a strange myth invented by the British and the Germans and the Dutch who all come here in search of it, but that's their problem. It's just warmer, the fish is fresher and the beer is cheaper. Most other things, like working, laundry, washing-up, traffic jams, in-laws, sore feet, etc., are pretty similar, so get over it, you forrins.

5. Everyone has an opinion about the British. Everyone in the world. We are universally despised. If you are a Briton and didn't know that, then you're an idiot. I have heard so much shit spouted at me about the British and Britain over the last ten years that is utter drivel or sometimes true, but mostly from people who've never even set a foot past the Portugal-Spain border. I've also heard the same drivel the other way round. And that's why I write this shit.

6. If you don't have a sense of humour, a sense of humility, a sense of the ironic or a sense of being a bit silly and letting it all hang out, please just don't come here. Just leave. You won't like it here. I barely even talk about Portugal any more, I've said pretty much all I have to say on the matter, the culture shock has left the system, although I'm still proud of what I've written and it stays where it is.

I think that is all I have to say right now. Yes. If you have something to say, please do, but do it in the spirit of this light and fluffy nuthole that is this blog. There's the guestbook or the comment boxes.

Right. I have knickers to pack.

Lucy Pepper. Aqui.

Muito bom

Muito bom

Via Gato:

domingo, junho 28, 2009

Se um estrangeiro o disse, é oficial: o ensino em Portugal é espectacular

Segundo uma notícia publicada ontem na edição online do Público, um «especialista canadiano em tecnologia» (?), apontou Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando o investimento em computadores individuais nas salas de aulas. Num artigo de opinião publicado no blogue Huffington Post - onde já escreveu Barack Obama, atenção – o Sr. Tapscott dirige-se directamente ao presidente dos Estados Unidos da América, desafiando-o: "Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!".


Na opinião de Tapscott, o "modesto país para lá do Atlântico", que em 2005 via a sua economia "abater-se", está a tornar-se no "líder mundial a repensar a educação para o século XXI". A presença de computadores nas escolas é "só uma parte" dessa "campanha de reinvenção", frisa Tapscott, que aponta a "criação de um novo modelo de ensino" como a "maior tarefa".
"Não é fácil mudar o modelo de ensino. Aliás, essa é a parte difícil. É mais fácil gastar dinheiro, como Portugal fez, a pôr Internet nas salas de aula e equipar os alunos com computadores", afirmou, acrescentando ainda que "é demasiado cedo para avaliar o impacto na aprendizagem", até porque os estudos sobre a presença de computadores nas aulas foram "inconclusivos".

"Os professores que enfrentam uma sala de aulas cheia de miúdos com computadores precisam de aprender que já não são os especialistas no seu domínio: a Internet é que é", escreve Tapscott. Aludindo à sua experiência numa sala de aulas numa estadia em Portugal, Tapscott conta como os alunos recorreram à Internet para resolver uma questão colocada pelo professor: para saber o que era um equinócio, grupos de alunos pesquisaram a informação e quem a descobriu primeiro explicou-a aos colegas".

Em primeiro lugar, e antes de tudo o resto, há que esclarecer o Sr. Tapscott do seguinte: a economia portuguesa abateu-se muito antes de 2005. Eu penso, aliás, embora possa muito bem estar enganado, que se desconhece o ano, o mês e o dia em que V. Exa. a Economia se deprimiu. Há quem fale em século XIX mas eu, que gosto de aspirar ao racional e ao tangível, não iria tão longe: apontaria os dois últimos anos do reinado cavaquista, alavancados de forma ferina, exuberante e, diria mesmo, definitiva pelo reinado guterrista.

Em segundo lugar, e entrando no tema em apreço, não queria, de modo algum, desbaratar o optimismo comovente que o Sr. Tapscott evidencia no seu artigo em relação a Portugal - em perfeita sintonia, aliás, com a corrente de optimismo que este governo pretende institucionalizar (provavelmente como disciplina no ensino básico). Mas convinha que o Sr. Tapscott visitasse durante algum tempo o país ou, pelo menos, fosse avisado do que se passa, realmente, no nosso quintal no que respeita ao «modelo» de ensino e à implementação do mesmo (quanto ao resto, dispensemos-lhe o calvário), não sem antes abandonar a propensão para abraçar o sedutor, romântico mas ainda assim tolinho mito do «pais modesto/selvagem dá lições aos grandes/civilizados».

Convinha, por exemplo, que o Sr. Tapscott soubesse que em Portugal está em curso um processo que poderíamos com relativa segurança (os sinais são tantos que tornam o desvio padrão marginal) apelidar de "Processo de aligeiramento pró-estatístico". A coisa funciona mais ou menos assim: baixar o grau de dificuldade das provas de aferição para mínimos históricos; instigar os professores a não chumbar alunos porque não é bom para a saúde de ambos; esvaziar o conteúdo curricular das disciplinas no sentido de dar o «indispensável». Esta sincronia metodológica assegurará, segundo os artífices do Ministério da Educação, um sucesso impar ao nível das estatísticas internas e comparativas. Tenho a certeza que sim.

De seguida, o Sr. Tapscott deveria perceber a que distância se encontram conceitos como os de «disciplina», «ordem», «autoridade» e «respeito» da prática escolar, mais concretamente em ambiente de sala de aula.

Por último, convinha que o Sr. Tapscott explicasse quais os benefícios que decorrem do facto de «ser a Internet a especialista nos seus (dos professores) domínios» e que vantagens há no facto de ser o aluno a pesquisar na Internet a informação e a ensinar aos restantes o conceito. Provavelmente, o que o Sr. Tapscott vaticina e, presumo, propõe e defende, é que o papel dos professores seja limitado ao de mero assistente, especialista em browsers e ligações à banda larga, cabendo aos alunos o papel de orientar a lição, escolher as fontes e transmitir por entre pares os resultados da «pesquisa». Nesse sentido, o Sr. Tapscott tem inteira razão: Portugal está no bom caminho. Faz, aliás, parte da vanguarda.

Cosmovisões

Há duas horas atrás, em entrevista à SIC, o primeiro-ministro, comentando a decisão do Presidente da República sobre a data das eleições (e à não simultaneidade de autárquicas e legislativas), reafirmou a sua concordância com a mesma e aproveitou para lançar mais uma daquelas elegantes farpas políticas, bem ao jeito do tipo de gente que actualmente domina o aparelho do Partido Socialista: “era o Salazar que falava em custos e em poupar quando se tratava de apostar na Democracia” (parafraseio).

Esta tentativa, recorrente, do PS e do governo, de tentar colar a imagem e o ideário de Manuela Ferreira Leite ao avarento e retrógrado homem de Santa Comba Dão não é apenas tola: é simbólica. A grande diferença entre o PS e o PSD, e entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, é cada vez mais clara. O actual primeiro-ministro continua a desvalorizar e a menosprezar o actual cenário macroeconómico e financeiro do país. Manuela Ferreira Leite já percebeu que Portugal está num estado de pré-falência incompatível com mega investimentos estatais e que é na economia real (a das pequenas e médias empresas) que deve ser administrada a injecção de adrenalina (porque só aqui se poderão colher frutos a longo prazo).

José Sócrates continua a dar sinais de que, no que toca ao Estado, o dinheiro pode esticar-se infinitamente porque, para ele, o Estado é magnânimo, omnipotente e, no limite, sacrossanto. Esta mentalidade, que o aproxima infinitamente mais de Salazar do que Manuela Ferreira Leite, é típica de quem nunca teve um contacto mínimo com a economia e o país real. O que não deixa de ser previsível. Não nos esqueçamos que Sócrates é um produto genuíno do carreirismo político à portuguesa: provinciano, de origens humildes, iniciou a sua ligação aos partidos na JSD da Covilhã; em 1981 filiou-se no PS; foi deputado, pela primeira vez, em 1987; integrou o Secretariado do Partido Socialista em 1991; integrou o governo de António Guterres em 1995, passando de Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente a Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território (já no segundo governo de Guterres), tendo, pelo meio, sido Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro. No meio de tão frenética actividade política, teve tempo para obter um diploma de bacharelato em engenharia civil no ISEC, inscreveu-se em Direito mas abandonou o curso e, finalmente, obteve a licenciatura em engenharia civil aos 40 anos. Toda a carreira política e «profissional» de Sócrates foi feita ora nos partidos políticos, ora no Estado, mais concretamente no seu braço executivo e em cargos não propriamente técnicos (ou seja, de nomeação política). Por entre tachos, conhecimentos, amiguismos, cartões partidários e, obviamente, alguma inteligência e uma boa dose de «ferocidade», José Sócrates venceu na vida e chegou onde chegou.

Mesmo admitindo que o principal interesse do PSD em juntar os dois actos eleitorais seria o da (pouco) provável contaminação do voto de protesto entre legislativas e autárquicas, chamar à colação o suposto pseudo-argumento do PSD relativo aos «custos» por parte do primeiro-ministro (e pondo de parte a farpa patetinha do salazarismo), confirma a diferença de cosmovisões entre Sócrates e Ferreira Leite: de um lado, um homem para quem o dinheiro e os meios foram surgindo, e cuja proveniência e sustentabilidade nunca lhe terão suscitado grande interesse ou estudo (no caso concreto, afinal de contas que peso teriam mais um euro aqui e um cêntimo acolá?); do outro, uma académica brilhante, professora universitária, estudiosa de Economia e Finanças Públicas (com artigos e ensaios publicados), que desempenhou inúmeros cargos de natureza técnica na administração pública. É natural que Manuela Ferreira Leite compreenda onde Portugal está metido e o que significa gerir meios escassos e contas publicas com implicações concretas na vida das pessoas. Oxalá a sua visão «avarenta» ganhe um lugar. É altura de Portugal perceber que o fatinho Boss e o Magalhães debaixo do braço não se compadecem com sapatos sem sola, meias rotas e saloiice exuberante.

sábado, junho 27, 2009

E se se concentrasse em ter um pouco mais de vergonha na cara?

Luís Filipe Menezes, em entrevista ao i:

Antes das europeias, disse que havia pessoas que estavam a rezar para que a Dr.a Ferreira Leite tivesse um mau resultado. Estava a falar de quem?

Eu estou claramente numa posição de ser um factor de coesão e unidade do meu partido - e não de desestabilização. Houve pessoas que deram sinais públicos de desejar que isso acontecesse...

Foi Pedro Passos Coelho, durante a campanha?

Acho que isso está ultrapassado. Agora vamos concentrar-nos em unir-nos. Acho que a Dr.a Ferreira Leite faria muito bem em dar alguns sinais de que sabe unir.

Repito: Luís Filipe Menezes. Alguém neste país tem memória?

É provável que Fernanda Câncio venha explicar os diversos sentidos do verbo «conhecer»

Notícia do Expresso:

Governo já conhecia negócio PT/TVI desde o início do ano

O Governo acompanhou todo o processo de venda de parte da Media Capital(dona da TVI) pelos espanhóis da Prisa. Desde Janeiro que a hipótese de a PT entrar na empresa era defendida pelo Executivo de Sócrates, podendo ser feita directamente ou via Espanha, onde a Prisa pode sofrer uma recomposição accionista. Sócrates e Zapatero estiveram sempre a par.

José Sócrates mentiu ao país.

sexta-feira, junho 26, 2009

E isto

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia purificada

Alexandre O'Neill

Mas depois há isto

The book of love is long and boring
No one can lift the damn thing
It's full of charts and facts and figures
and instructions for dancing

but I
I love it when you read to me
and you
you can read me anything

The book of love has music in it
In fact that's where music comes from
Some of it is just transcendental
Some of it is just really dumb

but I
I love when you sing to me
and you
you can sing me anything

The book of love is long and boring
and written very long ago
It's full of flowers
and heart-shaped boxes
and things we are all too young to know

but I
I love it when you give me things
and you
you ought to give me wedding rings


The Magnetic Fields

É mais ou menos isto

And the talkin' leads to touchin'
and the touchin' leads to sex
and then there is no mystery left

Rilo Kiley

quarta-feira, junho 24, 2009

É justo que este disco tenha sido esquecido?


De vez em quando, este país dá ares de civilizado

Como (nem sempre) é óbvio, fez-se justiça:

"O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, contra João Miguel Tavares, colaborador do "Diário de Notícias", por considerar que o jornalista não ultrapassou os limites na crítica que fez a Sócrates, enquanto figura pública, revelou a TSF.

José Sócrates tinha apresentado queixa contra João Miguel Tavares, devido a um texto de opinião em que comparou o apelo à moral na política feito pelo primeiro-ministro à «defesa da monogamia por parte de Cicciolina».

«As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares dirigidas ao primeiro-ministro, figura pública, ainda que acintosas e indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no direito à crítica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante», afirmou o Ministério Público. Considerou, porém, que o jornalista não ultrapassou os limites na crítica que fez ao chefe do Governo e líder do PS, enquanto figura pública."


in Público 24/06/2009

E no entanto ou talvez por isso?


According to Hegel, the Owl of Minerva spreads its wings only at dusk. The later stages of one’s career should be propitious for discerning tendencies and forces at work in society. Earlier preoccupations with specific studies can be helpful for subsequent reflection on wider issues but meanwhile absorb time and attention.
Like many of my contemporaries, fellow undergraduates and young academics alike, in my early days I expected much from economics, both in public policy and in intellectual interest. The great advances in the subject and the high intelligence of my academic colleagues seemed to confirm these hopes. Nevertheless, from about the early 1950s increasing claims for economics by its practitioners ran parallel with my own increasing doubts and reservations.

I came to realize for instance that economists systematically exaggerate the impact of their ideas. In an oft-quoted passage in The General Theory, Keynes insisted that in the long run the world is governed by little else than the ideas of economists and political philosophers. If this were true, the world would have enjoyed the benefits offree trade for at least 100 years. Apart from being obviously unsustainable, Keynes’ opinion is also naively parochial in attributing exclusive influence to the ideas of economists and political philosophers. He neglects the impact of the founders and leaders of religious movements, including the Buddha, Christ, Mohammed, and of military commanders such as Alexander the Great, Julius Caesar and Napoleon.

The ideas of economists do affect the wider scene; like other ideas they have consequences. As Milton Friedman has reminded us, economists can suggest possible options to politicians. But we must not delude ourselves by overstating our influence, whether in the short period or over the longer run.


Peter Bauer in From Subsistence to Exchange (Princeton University Press, 2000)

terça-feira, junho 23, 2009

Do caraças

Santas marteladas

Strictly confidential

A menina não me desafiou, mas é como se o tivesse feito. Por razões diversas: a menina é, agora, muito cá de casa; a corrente de que a menina fala é cool enough; o desafio serve na perfeição a minha propensão para a vaidade, partindo da presunção de que a minha vaidade é digna de ser considerada interessante (em si mesma uma frase armada em mete-nojo).

1. put your itunes/ ipod/ mp3 player on shuffle.
2. for each question, press the next button to get your answer.
3. you must write that song name down no matter how silly it sounds!



IF SOMEONE SAYS "IS THIS OKAY" YOU SAY?
These things take time (The Smiths)

WHAT WOULD BEST DESCRIBE YOUR PERSONALITY?
I wish I had an evil twin (The Magnetic Fields)

WHAT DO YOU LIKE IN A GUY/GIRL?
sweetness (Lloyd Cole & The Commotions)

WHAT IS YOUR LIFE'S PURPOSE?
common people (Pulp)

WHAT IS YOUR MOTTO?
crooked lines (The Go-Betweens)

WHAT DO YOUR FRIENDS THINK OF YOU?
the drum thunder suite (Art Blakey)

WHAT DO YOU THINK ABOUT OFTEN?
the gates (Bernard Herrmann – BSO North by Northwest)

WHAT IS 2+2?
invocation (Stephen Sondheim)

WHAT DO YOU THINK OF YOUR BEST FRIEND?
road (Nick Drake)

WHAT DO YOU THINK OF THE PERSON YOU LIKE?
five words (The Go-Betweens)

WHAT IS YOUR LIFE STORY?
a ballad (Stan Getz & Gerry Mulligan)

WHAT DO YOU WANT TO BE WHEN YOU GROW UP?
the .44 Magnum is a monster (Bernard Herrmann – BSO Taxi Driver)

WHAT DO YOU THINK WHEN YOU SEE THE PERSON YOU LIKE?
courage (The Whitest Boy Alive)

WHAT DO YOUR PARENTS THINK OF YOU?
fado da viúva do Serafim (Tiago Guillul)

WHAT WILL YOU DANCE TO AT YOUR WEDDING?
absolutely sweet Mary (Bob Dylan)

WHAT WILL THEY PLAY AT YOUR FUNERAL?
the house (Bernard Herrmann – BSO North By Northwest)

WHAT IS YOUR HOBBY/INTEREST?
ricky’s theme (The Beasty Boys)

WHAT DO YOU THINK OF YOUR FRIENDS?
well I wonder (The Smiths)

WHAT'S THE WORST THING THAT COULD HAPPEN?
hundred & thousands (Fujiya & Miyagi)

HOW WILL YOU DIE?
going round (Herbert)

WHAT IS THE ONE THING YOU REGRET?
il prato (Pieranunzi play Morricone)

WHAT MAKES YOU LAUGH?
silence (Franck Avitable)

WHAT MAKES YOU CRY?
var. 5 – Goldberg Variations (Bach – Glenn Gould)

WILL YOU EVER GET MARRIED?
vida doce (Marcelo Camelo)

WHAT SCARES YOU THE MOST?
mammoth (Interpol)

DOES ANYONE LIKE YOU?
hard to explain (The Strokes)

IF YOU COULD GO BACK IN TIME, WHAT WOULD YOU CHANGE?
reflections (Jay Jay Johnson and Kai Winding)

WHAT HURTS RIGHT NOW?
german farmhouse (The Go-Betweens)

WHAT WILL YOU POST THIS AS?
strictly confidential (Bud Powell)

D'ouro

Este ano, vou de férias com o meu amor para aqui (mas não lhe digam nada que é surpresa):


Após reunião com Gandalf e Flash Gordon

"O Conselho dos Guardiães, órgão de topo no Irão, afastou esta manhã qualquer hipótese de anular os resultados do sufrágio".


segunda-feira, junho 22, 2009

Vamos com calma, ok?

Comentário de Mafalda Sousa a este post, que trago para o big screen:
Mas consegues entender que o que se saúda é a coragem dos milhares que se manifestam contra aquele regime? Que o que se tenta nas constantes referências em blogues e jornais é dar voz a essa gente? Não é se Moussavi é um santo ou se o outro pobre diabo é uma besta. Isso é cinismo, pareces-me bem mais inteligente do que isso. Sei que pouco te importa se é Moussavi ou o Ahmadinejad que seja eleito, porque tu não podes é com aquele país. Por ti fazia-se como dizia o McCain e "bomb bom bomb Iran". Queres é saber do mundo ocidental e de Israel. E tudo bem, é legítimo. Convenhamos é que é um pensamento muito redutor. Ignorar o Irão no panorama político internacional (seja com Ahmadinejad ou o Moussavi) é de idiota (veja-se que avanços imensos foram feitos por Bush).

Mafalda Sousa

Não, Mafalda, não quero saber só do mundo ocidental e de Israel, embora reconheça que me preocupo um pouquinho mais com o mundo ocidental e com Israel do que, por exemplo, com o Irão (embora isto seja paradoxal já que o futuro de Israel passa também pelo seu relacionamento com o Irão). E não, Mafalda, por mim não faria o que supostamente atribuis a McCain. Aliás, nem sei se McCain o disse assim, out of the blue, sem sombra de contexto. Sim, Mafalda, tendo cada vez mais a ser um redutor no que ao pensamento diz respeito (só ao pensamento? estou a ser simpático). É da idade. Cinismo? Talvez. Mas entende-me, Mafalda: as minhas reticências e o meu cepticismo vão inteirinhos para a forma como se tem observado Moussavi, a ocidente, e para a forma como toda a gente está absolutamente convicta de que houve irregularidades de montante decisivo para alterar os resultados da eleição. Isso não significa, e só um idiota o poderia inferir, que eu cauciono a repressão sobre os manifestantes e os jornalistas, e que discordo do desejo de mais liberdade e mais justiça por parte dos manifestantes e do candidato derrotado (por entre os que se manifestam por razões que não estas). Simplificando, e concluindo, eis o meu pensamento sobre o assunto explicado às criancinhas: a) não tenho respeito nenhum por Ahmadinejad; b) deploro o regime iraniano; c) não ponho as mãos no lume por Moussavi; d) a violência a que estamos a assistir é própria daqueles regimes, logo previsível, logo «natural». Qualquer outra conclusão que tentes retirar do que eu escrevi – de tipo belicista ou neo-conservador – é pura invenção. Tua, não minha. Obrigado pelo teu comentário.

A Ferrari até que fez uns carros bonitos


A Kim parece sempre que aprendeu a tocar ontem

domingo, junho 21, 2009

Estou muito satisfeito comigo

Só ontem vi a entrevista de José Sócrates à SIC Notícias, levada a cabo pela cândida Ana Lourenço.

É difícil comentar aquilo. Começar por onde? Posso começar pelo óbvio: a entrevista - uma versão mais austera do Janela Indiscreta com Alexandra Lencastre - foi um dos mais deprimentes e, simultaneamente, mais hilariantes exercícios de contorcionismo político de que há memória no Portugal democrático. Em 35 anos de democracia, nunca se tinha assistido a uma tentativa tão infantil, deslocada e plástica de inflexão de uma imagem política. Aliás, até Salazar e Marcello Caetano perceberam que, em política, há flick flacks impensáveis ou desaconselháveis. E o pior é que aquela tentativa burlescamente patética do primeiro-ministro em funções de dar uma imagem de homem tolerante, humilde, preocupado e níveo, em aparente sintonia com as preocupações do país e do povo que o habita, para além de se ter constituído num estonteante festival de oximoros quando associamos aquelas características ao seu nome, revelou não apenas uma total falta de respeito pelo mesmo povo (at the end of the day as pessoas não são estúpidas) como, também, uma desinteligência que, até nele, ninguém esperava.

Aquilo que Sócrates deixou transparecer é mais ou menos isto: o PS perdeu as eleições europeias por causa da sua imagem. Da sua persona política. As políticas, as decisões, as atitudes, as supostas «reformas», os recuos? Não. Sócrates parece estar convencido de que foi a «imagem». Foi a forma. Logo, fazendo uso de uma esperteza socrática nada saloia porque habitualmente servida pela «banda larga», pensou-se no vulgar e no aparentemente óbvio: nada melhor substituir uma imagem por outra imagem. À imagem do homem rijo e firme, ou, se quiserem, do «animal feroz», seguir-se-ia, de um dia para o outro, a imagem do homem sensível, calmo, ternamente compreensível e brandamente acessível, inimigo da petulância e, vejam bem, por vezes desajeitado por via da autenticidade. O povo descansaria, os plumitivos sossegariam a sua verve, as forças de bloqueio afrouxariam. O resultado esteve à vista e foi, no mínimo, o inverso.

Estou certo que causas de ordem a mais diversa e de merecimento o mais distante terão estado na origem do triste espectáculo a que assistimos. Provinciano pouco dado a complicações, escolho a mais comezinha: alguém do séquito de conselheiros de Sócrates, ou o próprio, não terá percebido o óbvio: o país fartou-se dos não resultados, da inflexibilidade face ao razoável e ao óbvio, das decisões erradas sem justificação plausível, de uma estratégia parca em substância mas rica em fogo fátuo. O facto desta gente, que julga a «imagem» um desígnio (e a entrevista prova isso mesmo) e não se coíbe de continuar a dar nota de um crescente e militante autismo em relação ao real estado do país – por entre sinais mais ou menos evidentes e manifestos mais ou menos definitivos (e o recente manifesto dos 28 economistas é absolutamente definitivo) – o facto desta gente, dizia, não perceber o óbvio, não augura nada de bom. Recorrer, por exemplo, à retórica do keynesianismo daquela forma – ou seja, de forma tonta e ignorante – foi de ir às lágrimas. E o «eu estou muito satisfeito comigo» coroa na perfeição a ideia de que aquele homem (já) não percebe onde está e o que anda (ou não) a fazer.

A queda de Sócrates, tal como se afigura, vai resultar numa das mais estrondosas quedas de uma classe e de um paradigma político. Ao pé dela, a queda do cavaquismo não vai parecer nada. É que esta fazia já parte da consciência e das expectativas dos próprios. Aquela vai aparecer como uma surpresa e uma calamidade a quem ainda não entendeu em que buraco estamos metidos.

Olha, olha, há tiros em Teerão...

O tom da generalidade das reacções às notícias sobre a repressão violenta das manifestações no Irão, parecem remeter-nos para o tipo de reacções que suscitariam as mesmas notícias caso tivessem lugar na Suécia ou na Dinamarca.

Há gente surpreendida e atónita com os «tiros» e os «mortos» nas ruas de Teerão. Meus caros: é bom lembrar que o Irão foi e continua a ser uma teocracia repressiva, onde os direitos e as liberdades, tal como as conhecemos a ocidente - e reconhecemos, uns mais que outros, é certo, como ideais -, são regularmente desrespeitadas, nuns casos, e pura e simplesmente inexistentes, noutros. Que haja alguém que se surpreenda com a repressão criminosa das manifestações ou com a violência das próprias manifestações (que não se pense que os manifestantes sejam anjinhos encartados) só redunda em ignorância ou num exercício de benevolência retroactiva relativamente ao regime dos ayatollas. Atrevo-me a repetir: Moussavi pode ser um «moderado», mas se todos conhecessem o seu pensamento político de facto (sobre o nuclear, Israel, os EUA, etc.) e a sua opinião sobre os usos e costumes na sua rica terrinha, estariam por esta altura bem mais cépticos relativamente ao suposto «ponto de viragem» ou, como já vi escrito, à hipotética «revolução de veludo» que o nosso «moderado» teria na manga caso tivesse ganho as eleições (ou melhor: agora que ganhou as eleições...).

sábado, junho 20, 2009

Ai Durão, Durão… sempre a falar de Portugal

Declarações de Durão Barroso sobre o facto de ter colhido o apoio dos Chefes de Estado e de Governo da UE na sua recandidatura:
"Houve momentos que me emocionaram muito esta noite. Houve vários primeiros-ministros que me disseram que no nosso [deles] país governo e oposição não se entendem em nada mas entendem-se quanto ao apoio que lhe queremos dar a si e à Comissão Europeia

Moderado tipo quê?

Vai para aí grande comoção, subgénero inquietação, em torno do resultado das eleições no Irão. Segundo se lê ou depreende das conjecturas e do grave trabalho intelectual dos especialistas, há um bravo e justo candidato – apelidado de «o moderado» - que foi, aparentemente, derrotado por uma putativa manobra burlosa encetada, claro está, pelo candidato «radical» ou, se quiserem, «imoderado» - o tal que se encontrava em funções e que ardilosamente controlava ou dominava o «sistema». Ahmadinejad – é este o nome do pulha – terá ganho as eleições de forma fraudulenta, coarctando ao Irão a possibilidade de abraçar o clube dos países civilizados, tolerantes, amantes da liberdade, do rule of law e do princípio da separação de poderes. Não se sabe ao certo como e em que condições se deu a tramóia. Em bom rigor, parte-se do princípio de que houve «quase certamente uma vitória eleitoral fraudulenta», nas palavras de Lee Sustar, do Socialist Worker (cujas fontes são também «quase certamente» fidedignas) porque «a rua» está ao rubro e «a rua» raramente se engana, sobretudo quando apoia os justos. Os apoiantes de Mir-Hossein Moussavi, elevado entretanto à categoria de «Ghandi Persa» ou «Martinho Lutero Rei do Islão» (as expressões são minhas, atenção), reclamam por estes dias vitória e berram com absoluto vigor e comovente convicção «houve vigarice!»

Sem querer perturbar a razão dos plumitivos e melindrar aquele que se afigura como um sinal de «mudança» e de «esperança» para os iranianos, gostava muito que me explicassem duas ou três coisas.

Moussavi é um «moderado». A sério? Moderado em que sentido? Defende, segundo consta, mais direitos para as mulheres. Quais direitos e com que alcance? Que tipo de intervenção preconiza Moussavi para as mulheres iranianas? Poderem alugar apartamentos sozinhas? Viajar para o estrangeiro sem ter que passar pela casa "dá-me licença maridinho»? Exibir o cabelo?

Em relação ao nuclear, o que pensa Moussavi fazer: pôr termo ao programa nuclear de Ahmadinejad?

Em relação a Israel: o espírito moderado que supostamente lhe corre, purificador e redentor, nas veias, impeliria Moussavi a reconhecer Israel como um Estado soberano e legítimo? E em relação ao Holocausto: Moussavi insitiria na tese de Ahmadinejad, segundo a qual o Holocausto não passou de uma fantasia histórica engendrada pelos judeus «controleiros» ou, pelo contrário, reconheceria publicamente ter sido uma tragédia medonha concreta que atingiu o povo judeu?

E sobre os judeus: Moussavi já não os quereria ver afogadinhos no mar? Como moderado, contentar-se-ia apenas em os vergastar?

Pronto. Desculpem lá qualquer coisinha. A luta continua. Ahmadinejad para a rua!

Esta coisa do aquecimento global tem muito que se lhe diga

Rebelo da Silva, em artigo publicado em 1930 na Revista Agronómica, deu-nos conta de um estudo levado a cabo pelo abade de Montearagon, em 1662, sobre cataclismos, secas e fomes na Península Ibérica:

[em 1040 AC] a Península Ibérica começou a ser assolada por calores tão intensos que não houve rio ou fonte que não secasse, exceptuando dos rios Ébro e Guadalquivir, que apenas conservaram pouquíssima água. Durante muito tempo não choveu, e em extensões de terreno de grande superfície, o solo abriu fendas muito profundas. Toda a vegetação secou; a falta de subsistências foi geral, compelindo os habitantes do País a emigrar; nas suas terras conservaram-se os proprietários ricos confiados na provisão de subsistência, que haviam feito, e tendo esperança e melhores tempos que não vieram. Consumiram as subsistências e quando quiseram fugir dessas desoladas terras era já muito tarde; foram morrendo de fome e de sede pelo caminho, salvando-se apenas, em pequeno número, os que puderam refugiar-se nas montanhas dos Pirinéus. Esta calamidade durou vinte e seis anos, sem que a chuva nem um único dia refrescasse o solo de Espanha, que ficou despovoado. Findo este tempo, choveu abundantemente e consecutivamente durante três anos; a terra cobriu-se novamente de vegetação, e a Espanha começou a repovoar-se” (fonte: Revista Agronómica, 1930, Rebelo da Silva).

Em Portugal, Rebelo da Silva apoiou-se nos Anais de D. João III, escritos por Luís de Sousa, para evocar que, em 1552, em todo o reino ”estavam os campos tam secos que, como em outro tempo se despovoou Hispanha por lhe faltarem as chuvas ordinárias, parecia que tornava similhante desventuras.”

Daqui se concluiria, até há bem pouco tempo, que há séculos que o «imperialismo americano» vem fustigando o planeta terra e a camada do ozono. Alfonso Manitas de Plata, um estudioso catalão da matéria, em paper publicado há três anos, reiteraria a tese: ”Em 1545, era já notório o autismo por parte dos responsáveis norte-americanos (os que, na altura, mais contribuíam para a poluição no planeta) em não abrir mão das suas reservas de búfalos – um número perto do bilião e meio – cuja ventosidade intestinal deixava marcas indeléveis na camada de ozono, provocando um efeito estufa devastador que secou rios, ribeiros, riachos e poças de água”.

Em Portugal, um distinto cientista filiado no Bloco de Esquerda que, para este pequeno apontamento de reportagem, pediu o anonimato, tinha praticamente concluído um estudo sobre o impacto dos sinais de fumo, utilizados pelas tribos nativas norte-americanas (os Mohawks, os Teton Lakota, os Choctaw do sudoeste e os Shoshon), na atmosfera. Relatos manuscritos do Grande Chefe Bogart (Mohawk) referiam “secas prolongadas, pés gretados e mulheres quentes”, ambiente comummente atribuído à interconexão entre o mundo dos espíritos e o mundo dos vivos.

Tinha. Entretanto Obama venceu, o Dr. Soares benzeu a Epifania e o estudo engasgou-se. Deve ser do calor.

sexta-feira, junho 19, 2009

Série: juro que é verdade (IV)


quarta-feira, junho 17, 2009

Eu também tenho uns passivos tóxicos

Miguel Esteves Cardoso in Público (17/06/2009)

Quanto pior, melhor

No PÚBLICO de ontem, quem conseguisse arrancar os olhos do estonteante fulgor avelã dos cabelos de Vítor Constâncio - adeus, Julia Roberts - repararia que o governador do Banco de Portugal, quando o picam, nem sempre fala português mas faz sugestões interessantes.

Para receber os activos tóxicos do BPN, Vítor Constâncio vai mandar criar um tal bad bank. Este banco mau, qual esponja da Vileda, vai absorver todas as dívidas venenosas do BPN. Assim o BPN ficará limpinho e reluzente e poderá ser posto à venda. (Mesmo assim, aviso já que não serei eu que o vou comprar).

Chupar o veneno do BPN parece boa acção. Então porque é que lhe chamam mau banco? Deve ser como repreender um cãozinho que se porta mal. É preciso dizer "Mau cão!" mas ele sabe que o adoramos. Quando é que vai abrir este banco mau? É que estou ansioso para abrir lá uma conta. Até me disponho a aparecer num anúncio e tudo: "Sim, sou cliente do Banco Granda Merda!"

Pergunto se falta muito para se inaugurar o BGM porque tenho entre mãos um portefólio de activos tóxicos da minha lavra que eu gostaria de transferir para lá.
Por mim, atendendo ao montante das minhas dívidas, até podia ser um péssimo banco. Suponho que, quanto mais toxinas absorver, pior terá de ser o banco. Ou será preciso criar depois um really bad bank para chupar o buraco do merely bad bank? Que venha também!

Também não percebo nada de finanças mas sei quando um negócio me convém, ai nanas.


sexta-feira, junho 12, 2009

10 de Junho

foto: CCC

Se é para ter um jipe, é para ter um jipe


Let sleeping dogs lie

Vasco Pulido Valente in Público (12/06/2009)

Tudo calado

O dr. Cavaco e o dr. Barreto estiveram anteontem em Santarém, onde o dr. Cavaco pregou a nossa regeneração pela verdade e o dr. Barreto pregou a nossa regeneração pelo exemplo. Foi com certeza uma festa muito bonita e consoladora para quem gosta daquele género de oratória. Infelizmente, ao mesmo tempo, pouco sensível à elevação moral dessas duas patrióticas figuras, Portugal dava com a maior indiferença um extraordinário espectáculo da sua atávica irresponsabilidade. Como se sabe, da meia dúzia de empresas de sondagens só uma se aproximou dos resultados da eleição de domingo. De resto, todas se enganaram grosseiramente. Não previram a vitória do PSD, não previram (evidentemente) a substancial queda do PS e não previram a sobrevivência e os dois deputados do CDS.

Em Inglaterra, por exemplo, isto teria sido um escândalo. Durante uma semana a televisão e os jornais não se calariam. O mundo inteiro pediria explicações. Haveria indignação e haveria censura. Porque, se em princípio se pode admitir um pequeno erro, não se pode admitir a uma classe profissional inteira (bem paga ainda por cima) um fracasso quase absoluto. Cá pela terra, ninguém abriu a boca. A televisão nem na noite de 7 falou a sério do assunto e a imprensa desta última semana arrumou-o com um parágrafo de passagem. Os portugueses gostam dos portugueses. Os portugueses não querem prejudicar portugueses. Para comover esta família mole e complacente que nós somos é preciso um roubo ("uma roubalheira") que acicate a sua ancestral miséria. Quanto ao resto, cada um que trate da sua vida.

E, no entanto, o erro geral das sondagens deturpou fatalmente a eleição de 7. A aparente solidez da posição do PS convenceu milhares de socialistas de que não valia a pena votar? A aparente fraqueza do PSD convenceu milhares de militantes da seita a ficar em casa ou a começar mais cedo as férias dos feriados? Se o CDS ia de facto desaparecer abjectamente com o máximo de 4 pontos (para uma empresa muito especial era menos de 1), merecia mais do que uma consideração sentimental? Nunca se descobrirá o que sucedeu. Dizem os técnicos de sondagens que a abstenção atrapalhou o quadro. Mas não existem eles precisamente para resolver essas dificuldades? Pior: o precedente da subestimação sistemática do eleitorado do CDS não acendeu uma luzinha numa qualquer tremelicante cabeça? O dr. Cavaco e o dr. Barreto escusam de se cansar. O país não lhes liga.

quinta-feira, junho 11, 2009

Moog

quarta-feira, junho 10, 2009

Esquerda, direita, volver

Já havia escrito sobre o assunto. Aqui. Numa altura em que a tese da morte da dicotomia esquerda-direita volta a estar ao rubro, Rui Ramos escreveu um excelente artigo sobre o tema.


Rui Ramos in i (30/05/2009)

Isto de não ser de esquerda

Cresci num país "a caminho do socialismo". O governo era de esquerda, os meus pais eram de esquerda, os professores no liceu eram de esquerda, os jornais eram de esquerda, os cantores da moda eram de esquerda, os militares eram de esquerda, os bispos eram de esquerda e até os partidos ditos de "direita" também eram de esquerda (do "centro-esquerda"). Aqueles que viveram nesse Portugal de há trinta anos sabem do que falo. O ar cheirava a esquerda e parece-me que até a comida sabia a esquerda. A sabedoria, o talento e a bondade só podiam ser de esquerda. A esquerda era o bem. Ser de esquerda era estar salvo, redimido de todos os pecados, isento de todas as dúvidas, dispensado de todas as reflexões. O respeitinho era de esquerda. Num país assim, era talvez fatal que a perversidade inerente à adolescência me levasse a acreditar que nada do que me fascinava pudesse ser de esquerda. Henry James, Borges, Nabokov não eram de esquerda. Os Estados Unidos não eram de esquerda. A rapariga mais bonita do liceu também não era, aparentemente, de esquerda.

O que era não ser de esquerda?
Era ler os poemas de Fernando Pessoa sem os reduzir à "expressão da angústia de classe da burguesia". Era reconhecer que o Natal não era quando um homem quisesse ou que o mundo não pulava e avançava como bola colorida nas mãos de uma criança. Era chamar as coisas pelos nomes e perceber os limites de tudo. Era aceitar o pluralismo e a contradição como características permanentes da humanidade, e não como imperfeições para serem passadas a ferro pela planificação científica da sociedade. Não ser de esquerda era compreender que Cuba era uma ditadura, ponto final.

Onde tudo começou
Eis como fui parar à direita - um lado que, depois da revolução, era como aqueles descampados entre prédios onde brincávamos em miúdos: um espaço vago, sem organizações, sem hierarquias, sem rituais, sem dogmas, sem líderes. Foi por aí que passei a andar, anarquicamente. Se tivesse nascido noutra época, estaria eu noutro lado? Talvez. O ano passado, li um texto em que Bernard Henri-Lévy justificava as suas parcialidades políticas. Descobri, sem espanto, que as razões pelas quais ele diz que é de esquerda são precisamente as mesmas pelas quais eu digo que não sou de esquerda, ou, se preferirem, pelas quais eu estou à direita (não digo "ser de direita", porque esse é um ponto de vista da esquerda). Resumo: ele fez-se de esquerda para ser livre; eu fui para a direita pela mesma razão. Os caminhos da liberdade são muitos e misteriosos. Mas talvez só à direita se possa perceber isso.

sábado, junho 06, 2009

Dia de reflexão


Estão a ver a ligação?




Some girls are bigger than others


sexta-feira, junho 05, 2009

A dreaded sunny day

So let's go where we're happy
And I meet you at the cemetry gates

Ir comer sardinhas

Vasco Pulido Valente in Público 05/06/2009

Um passeio à Figueira

Fui anteontem à Figueira da Foz por uma auto-estrada deserta. Literalmente deserta: um camião ou outro, umas dezenas de automóveis, mais nada. A auto-estrada, claro, vai mudando de nome. Começa por se chamar A8, depois muda para A14 e acaba, salvo o erro, em A17. De qualquer maneira, começa quase à minha porta, em Lisboa, e só pára em Aveiro. É quase paralela à velha A1 do prof. Cavaco e parece que nasceu da exuberante cabeça do eng. Guterres (quem senão ele?) e que este Governo construiu o pouco que faltava. A ideia de uma auto-estrada, por assim dizer, suplementar, ou concorrente - uma ideia de gente rica ou de gente pródiga -, não deve ser comum. Na Figueira, essa extravagância vem sempre à conversa (à frente de estranhos) entre o desdém pelos poderes que misteriosamente a conceberam e o habitual desconsolo com disparates de Lisboa e da Pátria.

A Figueira, apesar de um debate público entre Paulo Rangel e Vital Moreira, não está muito interessada no ruído a que por aí se chama "eleições" para a "Europa". Segundo percebi no restaurante da D. Celeste, uma PSD e "santanista" ferrenha, as pessoas só se importam com as locais, que terão em princípio cinco listas de grupos que historicamente não se estimam. Quanto às gerais de Outubro, a D. Celeste abana a cabeça com alguma tristeza e uma enorme dúvida (que se compreende) sobre a dr.ª Ferreira Leite. Comendo as primeiras sardinhas do ano, achei a Figueira típica do país: melancólica, desiludida e sem esperança. Que lhe pode trazer um novo regime: uma terceira auto-estrada?

Entretanto, impenetrável à realidade do mundo, a campanha continua. Augusto Santos Silva, Ana Gomes, Jorge Lacão e, evidentemente, Vital Moreira não desistiram de explorar a noção absurda de que o PSD é, por causa de meia dúzia de "figuras gradas", responsável pela fraude do BPN. Ninguém protesta e Sócrates não os manda calar, com certeza em nome do aprimoramento cívico dos portugueses. Do lado do PSD, Manuela Ferreira Leite apareceu finalmente na "rua" (espero que sem um nojo excessivo), enquanto Menezes descobriu agora que Rangel era uma "lufada de ar fresco" e Pedro Passos Coelho, na sua qualidade de "próximo Presidente", resolveu aliviar o espírito de um despropósito sem desculpa. O que apetece é de facto aproveitar a auto-estrada deserta (A8, A14 e A17) e ir comer as sardinhas da D. Celeste.

terça-feira, junho 02, 2009

Tempos


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