O MacGuffin: Diz que é o contraditório

terça-feira, julho 24, 2012

Diz que é o contraditório

De um leitor devidamente identificado, a resposta ao artigo de Pedro Lomba que aqui publiquei:

"O que está em causa é a igualdade dos cidadãos face à tributação. Apenas isso.

Não é constitucional, no nosso país, estabelecer um imposto que apenas afecte os empregados de mesa, ou os carpinteiros, ou os engenheiros electrotécnicos - não estando em causa, constitucionalmente, saber quais vivem melhor ou pior, quais ganham mais ou menos, e quais têm maiores ou menores regalias. Assim como não é possível um imposto que apenas afecte os funcionários públicos - como é o caso do corte dos subsídios.

O resto é mistificação, que parte sobretudo daqueles que não querem os sacrifícios para si (e permanecem intocáveis, como por exemplo, quem vive dos rendimentos de capital), e a quem é naturalmente mais cómodo ver os outros arder na fogueira.

Não são os desempregados que se queixam desta decisão, mas antes camadas privilegiadas da sociedade - pelo menos é o que vamos vendo na tv.

E já que falo em mistificação, não há maior exemplo da mesma do que afirmar-se repetidamente que na Função Pública se ganha melhor do que no sector privado.

O que se passa, e que toda a gente sabe (embora alguns tentem constantemente fazer esquecer), é que a FP está carregada de médicos, professores, enfermeiros, militares, juristas e técnicos superiores das mais variadas áreas, que naturalmente, por via da sua especialização, inflacionam o valor total da massa salarial por cabeça.

Se formos a exemplos concretos, essa teoria cai imediatamente pela base.

Um dirigente distrital de um organismo da FP, com um orçamento elevadíssimo à sua responsabilidade, com 400 funcionários na sua esfera hierárquica, ganha cerca de 3 mil euros. Qualquer bancário, com alguns anos de carreira, muito menor responsabilidade, e sem ninguém a seu cargo, ganha facilmente o mesmo.

Se compararmos um director-geral nacional da FP, com um director-geral de uma empresa de âmbito nacional, a diferença será ainda mais expressiva. Um não ganhará mais do que 4/5 mil euros, o outro pode chegar facilmente aos 15/20 mil, sem contar com os extras.

Basta ver igualmente quanto ganham o primeiro ministro, ou o presidente da república, e quanto ganham os gestores do PSI-20.

Um técnico qualificado, que na FP ganha menos de dois mil euros, no sector privado ganha facilmente, com o mesmo tempo de carreira, 6 ou 7 mil. O mesmo para um médico, num hospital do estado e no privado.

São essas as comparações que se devem fazer, e que levam a que uns recebam nas férias 14 mil, outros fiquem com os seus 2 milzitos mensais, exercendo o mesmo tipo de funções, só porque tiveram o azar de um dia optar pela FP.

E já agora, a segurança de emprego, com os quadros de disponíveis e afins, também pertence ao passado. Entre os mais jovens da FP, a maioria das pessoas tem já contrato individual, estando sujeita ao código comum. Já este ano, vão ficar milhares de professores sem emprego. Portanto, essa história é, também ela, uma tanga, que apenas tem por base o facto de o Estado, ao contrário das empresas, não poder efectivamente acabar, por muitas dificuldades que atravesse."

LF

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