Terça-feira, Janeiro 24, 2012
Segunda-feira, Janeiro 23, 2012
Indignação n.º 137/2012
Quinta-feira, Janeiro 19, 2012
Fazer parte da solução
Outra central sindical – a CGTP – decidiu abandonar as negociações em sede de concertação social, para salvar a face de «eterna, verdadeira e intransigente» defensora dos «trabalhadores». Objectivo: o orgulho de não dar uma imagem de fraqueza e de derrotismo, no eterno jogo do «nós» (os verdadeiros defensores dos fracos) contra «eles» (o governo e os patrões vampiros).
Qualquer pessoa que, por um minuto, dispa a jaqueta ideológica, ponha de parte a lúdica partidarite e tenha uma noção clara do estado a que chegou o país, perceberá quem foi corajoso e agiu de boa-fé, mandando às urtigas eventuais danos na imagem romântica do sindicalista «proletários de todo o mundo, uni-vos!». Acima de tudo, quem agiu com a coragem própria de quem sabe que a realidade é a possível e não a que idealizamos.
Quarta-feira, Janeiro 18, 2012
Terça-feira, Janeiro 17, 2012
Domingo, Janeiro 15, 2012
Much ado about... same old same old
Uma velha história
"O Governo de coligação PSD-CDS, desde que tomou posse, ofereceu, generosamente, à gente sua amiga uma dezena de lugares de proeminência, muitíssimo bem pagos. O que produziu um escândalo de certa maneira inesperado. Não me lembro de um único primeiro-ministro que não tenha prometido não empregar a eito a sua clientela partidária, como não conheço nenhum primeiro-ministro que não acabasse por a empregar. Isto é uma tradição portuguesa que vem do liberalismo e que até hoje sobreviveu imune à contínua (e, às vezes, radical) mudança do Estado e da política. À superfície, não se vê por isso o motivo por que um acto, por assim dizer, normal de Passos Coelho provocou agora tanta indignação e tanta conversa. Mas, pensando bem, a explicação é simples e já foi interminavelmente dada e repetida.
De qualquer maneira, não se perde nada em voltar ao assunto. Por um lado, a inexistência de um "sector privado" com oportunidades de trabalho, carreira e ascensão social, virou sempre a parte letrada (ou, se quiserem, "instruída") da sociedade para o Estado e para aquilo que dele directa ou indirectamente dependia (obras públicas, bancos, monopólios, grandes companhias). Por outro lado, o domínio do Estado sobre a economia, excepto sobre uma parte importante da agricultura, fez com que a influência oficial se tornasse necessária, mesmo para entrar e prosperar no "sector privado". A classe média que nasceu e cresceu por este processo é inevitavelmente uma classe média do Estado, cujo bem-estar ou a fortuna dependem do Estado. Sem ele, morreria, e morreria depressa.
As clientelas partidárias não são por acaso o sustentáculo dos partidos, como o serviço ao partido (ou a uma facção dele) não é por acaso indispensável ao sucesso pessoal e profissional da mais pequena e melancólica ambição. O muito lamentado conúbio entre o "poder" económico e o "poder" político começa aqui e não há reforma que o remova, porque está na natureza das coisas. Esperar que Passos Coelho o removesse à força de retórica só atesta a credulidade do indígena. Infelizmente para Passos Coelho, a crise do Estado e a crescente miséria do funcionalismo não lhe permitem aumentar e distribuir com mão larga a sopa do convento e provoca a inveja, o ressentimento e a fúria daqueles que ficaram sem o seu prato de lentilhas. Disfarçado em virtude, o escândalo das nomeações não passa disto."
Sexta-feira, Janeiro 13, 2012
A bruxa má
Obrigado, camaradas
"Manuela Ferreira Leite declarou que os maiores de 70 anos deviam pagar as respectivas hemodiálises. Partindo do pressuposto de que a drª Ferreira Leite não é o Conde Drácula, imagino que se referisse aos maiores de 70 anos que podem efectivamente pagar. Mas nem esta hipótese razoável sossegou as almas primitivas que lutam por um serviço de saúde universal e gratuito, ou seja, um serviço onde ricos e remediados não pagam nada porque os impostos de todos já pagam tudo.
Eu, por mim, não me oponho à fantasia; e aconselhava a direita ‘neoliberal’ a não se opor. Na sua obtusa cruzada estatista, a esquerda pretende, no fundo, que os tratamentos hospitalares dos mais ricos continuem a ser desproporcionalmente suportados pelos mais pobres. Se isso significar, a prazo, a degradação da qualidade do sistema, também não há drama: quem tem dinheiro emigra para o privado – e quem não tem fica com as sobras.
Às vezes, a defesa do grande capital vem de onde menos se espera."
Que nem tordos
'What Could Possibly Motivate Israel to Kill Iranian Nuclear Scientists?'
Por Jeffrey Goldberg (The Atlantic)
A Goldblog reader writes:
You have to explain to me why the Zionists are so committed to picking a fight with Iran? What could possibly motivate Israel to kill Iranian nuclear scientists? It makes no sense, unless Israel is looking to start a war to extend its military domination of the Middle East (everyone knows Israel has the strongest military in the Middle East). So you'll have to explain this to me, please.
There seems to be an epidemic of thickness on this question. Let me be clear: Just because I think an attack on Iran's nuclear complex is a bad idea doesn't mean I think Iran poses no threat to Israel. Do you want to know why Israel is taking the actions it may be taking against Iran? Because Iran has been engaged in full-blown but subterranean war against Israel for almost three decades. The Iranian regime is committed to the physical elimination of Israel. That's right -- a member-state of the U.N. is advocating the complete destruction of another member-state. The Iranian leadership regularly uses Nazi-style rhetoric against Israel and Jews, frequently resorting to epidemiological metaphors -- Israel is a cancer, Israel is a tumor, language that smacks of Mein Kampf.
But more important than Iran's eliminationist rhetoric is Iran's actions: Iran is the prime sponsor of Hezbollah, an avowedly-antisemitic terrorist organization that seeks to kill Israeli civilians. Iran is also a prime supporter of Hamas, which also seeks out Israeli civilians to kill (and it even brags about the number of Israeli civilians it has murdered). Hezbollah and Hamas, just like Iran, seek the physical elimination of Israel. Their agenda isn't to create a Palestinian state in Gaza and on the West Bank; their agenda is to replace a Jewish state with an Arab-Muslim state. If you were an Israeli leader, and you understood that Iran works assiduously to murder your civilians, and to bring about an end to your people's collective existence, and then you learned that Iran may be trying to build a nuclear weapon, well, is it so unreasonable to think that Israel might choose to fight back?
Which brings me to another letter just received in the Goldblog inbox:
Why shouldn't Iran have a nuclear weapon? Israel has it. Why does Israel think it needs a nuclear weapon and Iran doesn't. Why should Israel have nukes in the first place?
This letter-writer, it seems to me, lacks imagination. Why shouldn't Iran have a nuclear weapon? Well, because it's an anti-democratic theocracy that menaces its neighbors, oppresses its own people, and calls for the destruction of another Middle Eastern state. It is profoundly anti-American, anti-Israel, and anti-Sunni. It is in the American national interest to see Iran denied nuclear weapons. Nuclear weapons are dangerous. They are especially dangerous in the hands of totalitarian regimes, and so these regimes should be discouraged from acquiring them.
And why does Israel think it needs nuclear weapons in the first place? Well, Israel was founded shortly after one-third of the world's Jews were murdered in the Shoah. The Shoah, if nothing else, was an object lesson on the perils of defenselessness. Israel was, at independence, set upon by its neighbors. It continues to battle countries and organizations that seek its destruction. Here is a real failure of imagination: I'm not arguing that you have to endorse Israel's nuclearization, but if you can't understand this from Israel's perspective, then you're just not trying. By the way, I understand why Iran's unelected supreme leader might believe that nuclear weapons are in his country's best interests. I don't agree that he should have them, but I understand why he would want them.
Quinta-feira, Janeiro 12, 2012
Tão querido, o Igor
Domingo, Janeiro 08, 2012
Così fan tutte
A grande loja irregular
"Parece que um tal Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD e membro da Comissão Parlamentar que investiga as irregularidades no Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, pertence a uma loja maçónica chamada Mozart (em honra do músico - Cosi Fan Tutte, não é? - ou dos bombons?). Parece que um tal Jorge Silva Carvalho, ex-director do SIED e alvo da investigação, pertence igualmente à referida loja, metida numa história de tráfico de segredos de Estado. Parece que o PSD, na versão do PS, ou que o PS, na versão do PSD, censuraram as referências à maçonaria num relatório sobre a matéria. Parece, por fim, que o aborrecido episódio suscitou um daqueles escândalos fátuos com que a pátria sazonalmente se entretém.
Eu também me confesso escandalizado, pelo menos com o facto de o público ainda se surpreender com duas ou três evidências, a saber: 1) a classe política nacional é, salvo escassas excepções, um entreposto de maçons ou folclóricos com propósitos no fundo similares (ver Opus Dei, sff); 2) à semelhança de qualquer sociedade relativamente secreta, a maçonaria é uma seita destinada a satisfazer interesses de facção, incluindo a obtenção de protecção e privilégio para os respectivos devotos; 3) os favores em questão, transaccionados em cauteloso recato, naturalmente constituem ou implicam a prática de irregularidades e puras ilicitudes.
Pouco democrático? Decerto. Mas a essência da coisa é essa. Ou se interditam as associações do género ou se aceitam as manhas que lhes estão na natureza. Eu opto pela tolerância. É verdade que os maçons violam jovialmente os princípios da ascensão pelo mérito e saltitam nas carreiras à custa da "fraternidade", cá fora conhecida como "cunha". Porém, as injustiças cometidas não escapam ao castigo devido, quiçá divino. De que adianta um indivíduo conseguir emprego, influência ou o que toma por "prestígio" se tamanhas maravilhas obrigam a sujeição a rituais grotescos? Prestígio nenhum resiste aos aventais, aos cordões, aos bodes e à pompa balofa que criaturas adultas passeiam com inconsciência. Cada benefício implica uma humilhação muito maior. Não admira que a seita favoreça a ocultação.
As milícias do velho Oeste americano herdaram a tradição inglesa de ridicularizar o próximo cobrindo-o de alcatrão, primeiro, e de penas, em seguida. Os maçons ridicularizam-se sozinhos e, ridículo supremo, nem sempre se apercebem. As últimas notícias dão conta de uma debandada de integrantes da loja Mozart por causa das penúltimas notícias. Talvez se mudem para a loja Haydn, talvez para a Mon Chéri. Do embaraçoso avental é que ninguém livra os pedreiros-livres."
Já não vem mais nada que seja tão bom
Começa o Inverno
"Amanhã começa um mês de verdade. É a primeira segunda-feira desde sei lá quando em que não há festas nem feriados. Só acaba lá para o fim de Fevereiro, quando ocorrem o alívio do Carnaval e a brevidade do mês. É o tempo de mais trabalho e de mais desemprego; de mais doenças e suicídios. Dezembro foi doce de clima e de quadra. A primeira semana de Janeiro, com a passagem do ano e do Dia de Reis suavizou a queda que começa amanhã.
E de que maneira. Na sexta-feira de manhã fui à procura do forno de lenha onde - no coração de uma espécie mágica de garagem gastronómica, impossível de encontrar mas perto da Capela de São Mamede em Janas, cheia de cascas de ovo e de nozes acabadas de abrir - são cozidos os bolos-rei que são preferidos pelas populações das freguesias de Colares e de São Martinho.Eu cá sou fã do bolo-rei da Pastelaria Garrett, no Estoril, em cuja avenida, a vinte passos de casa, morámos durante dois anos. Ela, mesmo assim, prefere o bolo-rei lisboeta da Confeitaria Nacional.A verdade, difícil de engolir para muitos, é que o bolo-rei está a melhorar. Era seco, branco e avaro. Agora é húmido, amarelo e mais rico em ovos, passas, nozes e pinhões.
Os quatro melhores acompanhamentos, acho eu, por ordem de delícia são: um chá de uma quinta menos alta do Ceilão, um Moscatel de Setúbal bom mas humilde, um café de São Tomé ou, se for caso disso - porque não? - nada. Como o mês que aí vem, já não vem mais nada que seja tão bom."
Mais nada
Arcaísmo
"A maçonaria (nas suas dezenas de encarnações) foi um produto do Iluminismo. Ou seja, um instrumento de protecção e de luta contra a religião, no caso a religião cristã, e a Igreja. Não por acaso, tomou algumas das formas mais típicas do inimigo: um trajo esotérico, a hierarquia, o ritual e por aí fora. Coisas que a mim pessoalmente me repugnam, mas que no século XVIII e em parte do século XIX são, pelo menos, compreensíveis. Nos países "protestantes", em que o Estado já dominava a igreja ou igrejas "reformadas", a maçonaria nunca chegou a ter muita importância, nem a intervir significativamente na política. Mas nos países católicos, em que a aliança do "trono e do altar" era uma realidade sólida e activa, acabou por se tornar um instrumento indispensável de subversão.Organizou ou contribuiu para organizar a resistência ao "absolutismo" e, quando os liberais se estabeleceram no poder, escolheu o pessoal do governo ou mesmo, em certos casos, governou ela própria directamente. Por isso, nas regiões de influência católica a sua força (e o horror oficial que inspirava) sobreviveu até muito mais tarde. Disseram alguns comentadores que Hitler e Mussolini a perseguiram com especial rancor. Não é verdade. Como é lógico, as grandes perseguições vieram de Pétain e de Franco, que detestavam a República e queriam fortalecer a Igreja, e também acessoriamente de Salazar, tão devoto e monárquico como eles. Não admira que a maçonaria (o Grande Oriente Lusitano) ainda existisse em Portugal no "25 de Abril" e ajudasse a fundar o primeiro PS de Mário Soares.
Mas de então para cá deixou de ter razões para continuar. Não há monárquicos, nem a mais vaga hipótese de restauração da Monarquia. A Igreja em grande decadência pesa pouco e, sobretudo, não ameaça ninguém. O PS já não anda atrás da "irmandade"; e o PSD, ao princípio protegido e pupilo do catolicismo tradicional, é hoje um partido sem um carácter definido, sempre disposto a recolher a última novidade política. Por isso, apareceram de repente a Grande Loja Regular de Portugal e a Grande Loja Legal de Portugal, duas maçonarias sem história, nem explicação. Porquê? Porque a presença do Grande Oriente Lusitano diminuíra no Estado e no governo e era preciso outra organização (ou organizações) para o substituir em nome da entreajuda secreta que a fraternidade fornece e dos negócios que patrocina ou que a patrocinam. Mais nada."
Sexta-feira, Janeiro 06, 2012
Viva a Jerónimo Martins
Pingo amargo
"A firma Jerónimo Martins (mercearias finas) merece todo o respeito e consideração. Primeiro, porque antigamente comprou azeite a Herculano. Segundo, porque ajuda hoje a divulgar o interessantíssimo pensamento de António Barreto, que por enquanto não vende azeite. Mas, de repente, Portugal inteiro resolveu vociferar contra a Jerónimo Martins. O Parlamento, a televisão e os jornais, já para não falar de um ou outro "indignado" em transe, berram a sua justiceira fúria. E por que razão? Porque a Jerónimo Martins, muito lógica e prudentemente, resolveu transferir a sede social da sua holding para a Holanda, como, de resto, antes dela, 19 grupos dos vinte maiores do PSI-20: a PT, por exemplo, a Galp, a Mota-Engil e o BES, contra os quais não se ouviu à época qualquer murmúrio.
Agora, não. Esse acto medonho foi qualificado de ilegítimo, imoral, intolerável e até, algumas vezes, de traição à pátria. António Capucho, um homem normalmente tranquilo, apelou mesmo ao boicote do Pingo Doce e a esquerda, com a sua irreprimível tendência para o suicídio, vai propor uma lei que impeça no futuro abusos do género. Escusado será dizer (ou repetir) que a operação da Jerónimo Martins é uma prática corrente e permitida em Portugal e na "Europa". E que, na Holanda, para onde se mudou, tem vantagens fiscais, crédito e previsibilidade que não tem em Portugal e não terá pelos tempos mais próximos. Nada disto importa a quem vivia do Estado e está neste aperto fundamentalmente preocupado com o buraco em que o Estado caiu e com o dinheiro que não recebe.
Claro que a polémica sobre a Jerónimo Martins provocou, como era inevitável, a costumada retórica sobre a diferença entre os "pequenos" que sofrem e os "grandes" que aproveitam, entre os que arranjam sempre maneira de fugir e os que nunca podem escapar à dureza das coisas. Muita gente citou a célebre frase do dr. Cavaco sobre as belezas da "equidade" e por um pouco não se voltou ainda às "200 famílias do dr. Cunhal". Não ocorreu a ninguém que (apesar do azeite de Herculano e do dr. Barreto) a Jerónimo Martins não é uma organização de beneficência e que o seu dever é fortalecer a sua posição e aumentar os seus lucros. Se ela falisse, ou enfraquecesse, haveria com certeza uma enorme choradeira e a "inteligência" indígena voltava a lamentar a falta de empresários. Como não faliu, serve por aí de bode expiatório."
Segunda-feira, Janeiro 02, 2012
25 resoluções para 2012
- Escrever um livro de culinária;
- Não voltar a ver o Eixo do Mal;
- Evitar, a qualquer custo, programas do género «Portugal no divã» (vulgo Prós e Contras);
- Desligar a televisão sempre que surja um vislumbre de Alfredo Barroso ou Basílio Horta;
- Desligar a televisão sempre que surja um vislumbre de comentário político nos canais de informação;
- Desligar a televisão;
- Acabar de ler o War and Peace, na tradução de Anthony Briggs;
- Evitar discussões sobre a dívida com militantes ou simpatizantes do Partido Socialista;
- Premir a tecla «mute» sempre que a Ana Mesquita se prepare para verbalizar qualquer coisa;
- Continuar a acreditar que o João Galamba é uma excelente pessoa e que eu sou um pouco parvo;
- Voltar a Borges;
- Esperar que 2012 seja pior que 2011;
- Dizer mais palavrões;
- Explicar, a quem precisar, o significado da expressão «não há dinheiro»;
- Abrir uma garrafa de champanhe quando Pacheco Pereira se reequilibrar/reencontrar;
- Comer menos e melhor;
- Beber mais e melhor;
- Inscrever-me nas aulas de surf, em Odeceixe;
- Comprar um iPad;
- Continuar a influenciar a minha filha para que saia de Portugal, logo que termine o secundário (ou 3.º Ciclo ou lá o que é);
- Acabar de vez com a conta no Facebook;
- Aumentar para o triplo o número de vezes que recorri à bicicleta para me deslocar, em 2011;
- Rezar para que o ciclista Maradona passe por Évora;
- Estar mais tempo com os amigos;
- Não falhar o concerto dos Magnetic Fields.
Quinta-feira, Dezembro 22, 2011
Coisas simples explicadas de forma clara
Empty hand de punho cerrado
"Muitos elogiaram as declarações do deputado Pedro Nuno Santos, notando que, finalmente (!), alguém no PS diz algo de esquerda. Mas as já famosas declarações do deputado – num estilo, algo trauliteiro, com que até simpatizo –, mais que de esquerda, são de uma enorme inconsequência.
Diz Pedro Nuno Santos que se está marimbar para os credores, pois o que o preocupa são os portugueses. E depois avança para uma analogia com o póquer, lamentando que não joguemos alto, nem usemos o que chama “bomba atómica” e mais não é do que gritar “não pagamos” na cara de alemães e francesas, com o intuito, presume-se, de os forçar a renegociar.
No póquer, a bomba atómica não é o “não pagamos”, mas o “all in”, uma jogada em que se apostam todas as fichas. Um “all in” só faz sentido em duas circunstâncias e com dois propósitos: quando se tem a melhor mão para limpar o pote, ou como bluff, quando se criou a convicção na mesa de que o nosso jogo é o mais forte, obrigando os restantes a desistir da jogada. Portugal – toda a Europa sabe – está neste momento com uma fraquíssima mão. Precisa, inclusive, do crédito dos parceiros para prosseguir em jogo. Nestas circunstâncias, até um principiante dirá que o caminho é apostar com prudência e manter a voz, enquanto não vêm melhores cartas. Um “all in” seria de uma irresponsabilidade atroz. Significaria sair de imediato de jogo, perdendo o capital e o crédito que ainda restam mas ficando com a dívida, porque nem os credores nem Portugal vão desaparecer.
Para Pedro Nuno Santos, optar pelos portugueses é sacrificá-los num fugaz, irreflectido e suicida impulso de autodeterminação. Com jogadores de póquer assim, o melhor é o PS dedicar-se à bisca."
Domingo, Dezembro 18, 2011
Sexta-feira, Dezembro 16, 2011
Não se discutem insultos
Espectros
"O pensamento da esquerda (se a palavra se aplica) sobre a crise da dívida deixou de ser inteligível. O PS, o PC, o Bloco e companheiros de caminho vão vertendo a sua indignação numa "língua de pau", para que não há entendimento, nem resposta. Comecemos pela parte mais fácil: a sra. Merkel, encarnação da Alemanha, e o sr. Sarkozy. A esquerda injuria a sra. Merkel, suponho que a título de argumento. Ela é irresponsável, incompetente, autoritária e oportunista; não tem imaginação, sofre do preconceito luterano (é de Leste) de que os maus merecem vigilância e castigo e até, como já idioticamente se insinua, se parece com Hitler. Quanto ao sr. Sarkozy, que os franceses não tarda nada porão na rua, não passa de um tonto. Que fazer nestas circunstâncias? Chorar, como a esquerda chora, pelos bons tempos de Schmidt, de Kohl e Delors, que tanto amavam a "Europa" e o seu admirável "modelo social".
Não ocorre à esquerda que a sra. Merkel e o sr. Sarkozy fazem o que o eleitorado lhes permite fazer; e que nada mudará quando se forem embora. De qualquer maneira, com ou sem eles, ficará sempre intacta a teoria das forças do mal: o "neo-liberalismo" (coisa obscena), o capitalismo "selvagem" (ou "de casino") e sobretudo essa fugidia espécie geralmente conhecida por "especuladores". A grande vantagem desta visão do mundo está, como no estalinismo, na indefinição dos conceitos. "Neoliberalismo", capitalismo "selvagem" (ou "de casino") e "especuladores" são insultos, não são ideias. Por pura inutilidade, não se discutem insultos, que só servem para melhorar o senso de virtude de quem insulta.
A esquerda gosta disto e julga, como de costume, que é a voz da razão. De resto, desde o princípio que viveu de espectros. Para quem não se lembra: o espectro do capitalismo (que depois da URSS não se atreve a recusar), o espectro dos monopólios, o espectro das 200 famílias (que nunca se encontraram), o espectro do proletariado (que nunca se percebeu onde começava e onde acabava e que, de resto, raramente votou em quem dizia que o representava), o espectro da "luta de classes", o espectro da revolução e por aí fora. Agora, a esquerda quer que o BCE pague a nossa dívida e a dívida da "Europa", emitindo moeda e bonds (com a respectiva inflação) e cada vez que a Alemanha e a França se recusam repete a sua nova ladainha. Continua na mesma."
Quarta-feira, Dezembro 14, 2011
Terça-feira, Dezembro 13, 2011
Voltando ao tema
Não perceber que: a) ninguém, em parte alguma, sugeriu, dissertou, aconselhou ou brincou com a ideia de pagar a dívida de uma só vez (esvaziando de sentido a referência de José Sócrates sobre o assunto); e b) José Sócrates deveria ser a última pessoa à face da Terra a poder preleccionar sobre o tema da dívida; reflecte limpidamente o desnorte que por aí vai, catalisado pelo despudor de uns e a intermitente candura dos «indignados» (incluindo os mais improváveis) que, quais baratas tontas, obliteram as causas e o estado do país, como se «troika», «bancarrota», «despesa» e «dívida» fossem termos de uma opera buffa, para não levar a sério.
Sexta-feira, Dezembro 09, 2011
Quarta-feira, Dezembro 07, 2011
Da irresponsabilidade
«Pagar a dívida é ideia de criança». A frase é de José Sócrates, proferida numa conferência com colegas universitários. A plateia, constituída por alunos da secção latino-americana - provavelmente um subgrupo a que pertence o aluno José Sócrates – aplaudiu estrondosamente o nosso ex-PM. No final, consta que terá dito «há muito tempo que não era assim aplaudido».
Fora o pitoresco da cena e o riquíssimo filão de anedotas que o episódio proporciona, aquela frase é todo um programa. Socialista e cainesiano, acrescente-se (e não Keynesiano). É a doutrina base da Sócrates & Galamba School of Economics: 1) a despesa é infinitamente virtuosa; 2) a dívida é uma abstracção; 3) os recursos só são escassos na teoria.
É esta a disposição lógica que serve de sustentação à estrutura mental dos que defendem os Eurobonds e/ou a impressão de moeda para solucionar a crise das dívidas soberanas. O saneamento das contas, a tentativa de corrigir os erros passados, a implementação de medidas de reajustamento, que acomode o nível de gastos à capacidade produtiva do país – tudo não passa de uma brincadeira de crianças.
«As dívidas gerem-se, foi assim que eu estudei», disse José Sócrates. Não, caro senhor, estudou mal: as dívidas pagam-se. Sempre. Mais tarde ou mais cedo. E, veja bem: são pagas pela ralé que o senhor sempre desprezou e desrespeitou, com o seu irresponsável cainesianismo de pacotilha.
(publicado originalmente aqui, 7.12.2011, 12:29h)
Segunda-feira, Dezembro 05, 2011
Sábado, Dezembro 03, 2011
Terça-feira, Novembro 29, 2011
Trabalho herculeano
(originalmente publicado aqui)
Sexta-feira, Novembro 25, 2011
Com comentários
Quinta-feira, Novembro 24, 2011
Contemporaneidade
GILBERT (ao piano) Meu caro Ernest, de que te estás a rir?
ERNEST (erguendo o olhar) De uma história notável com que deparei agora mesmo neste volume de memórias que encontrei em cima da tua mesa.
GILBERT Que livro é esse? Ah, já sei. Ainda não o li. É bom?
ERNEST Bem, enquanto tocavas, entretive-me a folheá-lo com algum divertimento, embora, em princípio, não goste de memórias de autores modernos. São normalmente escritas por pessoas que, ou perderam por completo a memória, ou nunca fizeram nada de digno de ser lembrado, o que constitui, sem dúvida, a razão da sua popularidade, pois o público inglês sente-se imediatamente em casa quando alguma mediocridade lhe dirige a palavra.
GILBERT Sim, o público é maravilhosamente tolerante. Perdoa tudo, excepto o génio. (...)
Zooey Deschanel also met The Smiths
E The Decemberists, The Halo Benders, Franz Ferdinand, OK Go, Deftones, Emilie Autumn, Amanda Palmer, Hootie & the Blowfish, Muse, Kaia Wilson, Third Eye Blind, Kate Walsh, The Dream Academy, Josh Rouse…
Sábado, Novembro 19, 2011
Domingo, Novembro 13, 2011
Charles Moore
Left and Right should join forces against the great euro takeover
'The moment of truth is approaching,” said David Cameron on Thursday. But what is the truth?
In the view of those who run Europe, the truth is that its single currency must be saved. In very ancient Greece, Homer tells us, the giants tried to scale Heaven by piling Mount Ossa on top of Mount Olympus, and then adding “wooded Pelion”, another mountain in those parts, on top of that. They failed, of course, and “piling Pelion on Ossa” became a by-word for reinforcing failure.
In very modern Greece (two days ago), a new prime minister was chosen. Lucas Papademos is not an elected politician. He is the former governor of the Bank of Greece, and it was part of his job a decade ago to persuade the European Union that his country had met the budget deficit criteria which would permit entry to the euro. It hadn’t, but he said it had. Greece joined. Now, partly because of this original fiction, Greece is bust. Yet the answer, strongly approved by the euro-giants, who were disgusted by the earlier suggestion of a referendum, is to pile Papademos on Papandreou.
In modern Rome, it is proposed that Mario Monti succeed Silvio Berlusconi as prime minister of Italy. Mr Monti is sometimes described as a politician, but, again, he does not sit in his country’s parliament: on Thursday, the President of Italy suddenly made him a senator-for-life. He has, however, spent nine years as a European Commissioner. His postal address is Rue de la Charité, Brussels. The euro-giants love him too.
These changes are welcomed by the powerful because they mean rule by “technocrats”. Let’s call in those clever chaps who have already proved they know how to pile Pelion on Ossa and get them to pile up several more mountains, summit upon G20 summit! Then we can reach Heaven at last!
There is, one must admit, a weird logic in this. One reason the eurozone is tottering is that markets know that its members (by which they mean Germany) could produce the mere two trillion euros required to calm things down, but are refusing to do so. The markets are goading them to see if they are serious. They, naturally, would like to prove that they are.
But what I want to shout out, like the man in the hall in an old-fashioned election meeting, is “What about the workers?” So long as the economies of Europe were on a fairly even keel, normal people did not pay much attention to the great plans to reorganise their continent. But now, as the European Commission itself admitted this week, these plans have stopped growth. They are beginning to do so not only in the eurozone, not only in near-neighbours such as Britain, but right across the world. While the trouble persists, no one knows whether to invest in production and trade. The “safe havens” of gilts outside the storm become bubbles, and therefore cease to be so safe. America and China are both making their displeasure felt.
I caught Mr Papademos saying on television that it was only by remaining in the euro that Greece could return to “financial prosperity”. True, you cannot have a sound economy without sound money. But what is emerging in this crisis, as is always characteristic of depressions, is that an obsession with the strictly financial comes into conflict with the broader economic good. Possibly, though I doubt it, Greece and other “Club Med” countries can find ways of staying in the euro. But they will do so – are already doing so – at a punitive cost to their citizens. Every country needs its central banker, but are they and their like really the men for the hour of national salvation? Aren’t they the representatives of the class that has failed?
You often hear Greens complaining about “our obsession with economic growth”. Now that citizens are beginning to lose their wage rates, their jobs, their houses, their pensions, their futures, we shall all be reminded of why that “obsession” makes sense. However badly a country such as Greece has run itself (it has, it has), however much Italy needs “structural reform” (it does, it does), however much every country south of the Rhine may be reprehensibly late-rising, unshaven, garlic-reeking and generally un‑Germanic, they cannot correct their own errors if their debt compounds and their currency is overvalued. The one size that is supposed to fit all is, in reality, the one size that fits Germany.
Our leaders keep saying how vital it is to keep the euro afloat. There can be no doubt that its sudden collapse would have terrifying consequences. But the remedy of throwing more and more troops into the valley of the shadow of financial death may be no remedy at all. The most diligent eurozone workers – and British workers, too, if we are not careful – will end up like poor Boxer in Animal Farm, nobly making every sacrifice for something that cannot be achieved.
There is surely a case here for common cause between Left and Right. Historically, the Left has gained its stature by standing up for the downtrodden. The European Union, and even more the eurozone, is the classic bankers’ ramp against which the Left always warned. Yet, probably because it hated Mrs Thatcher so much, the Left switched to supporting the euro, and thus betrayed the underdog.
The Right originally supported European integration because it would undermine trade-unionised siege economies and fend off Communism. But the euro turns out to be opposed to the competition which is the lifeblood of free markets, and gives privileged status to an alliance of bureaucrats, politicians, bankers and central bankers which then protects itself with the “too big to fail” argument. That alliance now finds perfect expression in the Frankfurt Group. As an exceptionally brave central banker, Mervyn King, said in an interview with this paper earlier in the year: “The concept of 'too big to fail’ should have no place in a market economy.” The euro is very, very big, and very nearly failed. Yes, fiscal union is an answer, of a sort, to the problems the euro has now. But it is surely not the answer that believers in markets should prefer.
Left and Right alike – Left and Right in their anti-establishment forms – should agree that this is not the time for technocrats and Frankfurters. I have a more original idea. How about a few democrats?
The truth whose moment Mr Cameron sees approaching is that since Europe has to be rebuilt, the construction must be revalidated by its component nations and their citizens.When Mrs Thatcher fought against the Delors plan for a single currency more than 20 years ago, her arguments were right, but the tide of the times was against her. Her opponents, above all Helmut Kohl, had personal prestige, and appeared to represent the triumph of a new order to replace Soviet Communism and bury the ghosts of the Second World War. Most people therefore trusted them.
Today, that trust is broken. “Credit” means belief, and belief has now collapsed financially, politically and morally. So, even in Britain, which is mercifully outside the currency, the old government line of “Trust us to sort this complicated problem out in the national interest” is a provocation not a reassurance. The national interest lies in devising a European settlement which our Government is positively eager to put to the British people in a referendum. If our Government sees this, the principles that should guide the coming, inevitable renegotiation will become clear.
Quinta-feira, Novembro 10, 2011
Sábado, Novembro 05, 2011
Só não percebi o «independentemente»
O assunto transitou em julgado na salinha de audiências íntima da senhora jornalista. Não nutro (nem deixo de nutrir) a mais leve simpatia por Duarte Lima. Mas com este calibre de isenção, temo que o homem esteja, «independentemente do seu desfecho», mais frito que um torresmo.
Sexta-feira, Novembro 04, 2011
A definhar
Quinta-feira, Novembro 03, 2011
Tão má a emenda quanto o soneto
Depois do Avante ter publicado um inenarrável artigo de opinião de um idiota chamado Jorge Messias, Jerónimo de Sousa veio a terreiro pôr água na fervura. O desagravo foi, apesar da tentativa, uma lástima. Que nos diz Jerónimo? Pois que está tudo bem: as insinuações, pressupostos e extrapolações de Jorge Messias estão correctíssimas, obedecendo a uma lógica infalível. A única salvaguarda que há a fazer, avisa Jerónimo, é não confundir os «israelitas» e o «povo judeu» com o bando dos «sionistas». Os sionistas, segundo Jerónimo, são gente maléfica, merecedora de toda e qualquer crítica. Nada têm que ver com os «israelitas» ou com o «povo judeu». Claro que não, Jerónimo. E o facto de Jorge Messias ter recorrido a um livro cuja teoria esteve na base de tanto ódio e violência em relação aos judeus (dos pogroms ao holocausto), e de achar os Protócolos dos Sábios de Sião um excelente ponto de partida para esmiuçar a urdidura global de certos vilões maléficos, é um pormenor. Só um pormenor. Sem importância, Jerónimo.








