O MacGuffin: Junho 2008

segunda-feira, junho 30, 2008

MacGuffin's Jukebox (summer edition)

Comer gelados, subir árvores, andar de bicicleta, ficar deitado sobre a relva molhada, gins tónicos ao som de Francis Albert Sinatra, ver o sol nascer, flutuar, caracóis, dormir na praia, comer percebes, não trabalhar, dedos enrugados, pele salgada, observar o céu estrelado (de preferência de mão dada).

É Verão. E há músicas que fazem lembrar o Verão.






Para quando um karaoke, Sr. Primeiro Ministro

Referindo-se às confederações patronais, José Sócrates terá soltado um "não é justo que não gostem de mim" (sic). Vai daí, lembrei-me desta intemporal letra:

Eu vivo a sonhar
Não pensem mal de mim
Quanto mais não vale
Viver a vida assim
Nas asas do sonho
É bom andar sem norte
Não preciso vistos
Nem uso passaporte"

Que nem uma luva.

sexta-feira, junho 27, 2008

Não, agora a sério: como é que chegámos até aqui?

Portugal está entregue a gente insana, a doutrinas estupidificantes, à gentinha dos «aparelhos», aos dilectos do chefe, a tecnocratas sem bom senso e sem pudor. Notícia Público:
DREN não quer professores que dão notas "distantes da média" a classificar exames
De acordo com um relato de um professor escrito em acta, a directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, pediu aos conselhos executivos das escolas para terem atenção na escolha dos docentes que vão corrigir os exames, e disse que “talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.” Os “alunos têm direito a ter sucesso” e o que “honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” terá dito imediatamente antes e depois.

Boa notícia

Paulo Rangel foi eleito líder da bancada parlamentar do PSD. Terá de esgrimir argumentos com o Sr. Eng. Sócrates, com o Sr. Dr. Augusto Santos Silva, com o Sr. Dr. Alberto Martins, com o Sr. Dr. Silva Pereira. Por mim, já ganhou o céu.

quarta-feira, junho 25, 2008

The deed is done (apparently...)

O quê: Jenny Lewis and the Watson Twins? Rilo Kiley? Grizzly Bear? Beirut? Arcade Fire? Ena, ena…

Por objectiva inaplicabilidade, e por manifesta inteligência da destinatária, a série “A reeducação de Miss Charlotte” fica suspensa por tempo indeterminado. Aparentemente, a Sra. Dona Charlotte supera-se a cada dia que passa e eu, pela presunçosa parte que me toca, suspendo os meus serviços, não sem antes tirar o chapéu.



Já agora, caso a própria não conheça (o que, a avaliar pela onda sapiente, duvido), deixo mais duas referências (sugeridas a moi por este bom homem).


terça-feira, junho 24, 2008

Uma cabeça de cavalo

João Pereira Coutinho in Expresso (21/06/2008)

União Europeia

A actual União Europeia já merecia um filme e eu, modestamente, tenho realizador para ele: Francis Ford Coppola, obviamente. Depois de "O Padrinho", seria fácil montar uma fita sobre as fitas que a União faz para construir uma Europa sem europeus.

E como se processa essa "construção"? Para citar Vito Corleone, fazendo propostas que os outros não podem recusar. Porque, se recusam, acordam com uma cabeça de cavalo entre os lençóis.

Durante meses, Bruxelas foi a família Corleone, ameaçando e chantageando os pobres irlandeses para que votassem num único sentido. Por definição, um referendo tem duas respostas possíveis; para a família, tem apenas uma, o que mostra desde logo a farsa democrática em que a União se sustenta.

Conhecidos os resultados irlandeses, com um expressivo "não" ao Tratado de Lisboa, a família não baixou os braços. E se alguém relembra que o Tratado precisa de ser ratificado pelos 27, coisa que o referendo irlandês teoricamente enterrou, a família não perde tempo e desata a rasgar as suas próprias leis.

O Tratado não está morto, disse a família, e acrescentou que os restantes membros devem ratificá-lo sem demora. A Irlanda, presume-se, será posta de castigo para pensar outra vez. Como aconteceu com o Tratado de Nice, em 2001. A prazo, os irlandeses serão reconduzidos às urnas e, com a arma apontada, obrigados a votar no sentido que a família recomenda. Ninguém gosta de acordar com uma cabeça de cavalo entre os lençóis.

Pessoalmente, nada disto me espanta. O que espanta é a alegre desvergonha da elite europeia que nem sequer oculta os seus procedimentos autoritários; procedimentos que repugnam qualquer democrata verdadeiramente liberal.

Mas não só. O espanto de hoje será coisa pouca perante o espanto de amanhã: ao ignorar e violentar as escolhas livres dos seus povos, a União Europeia está a semear o extremismo nacionalista que um dia despertará contra ela. E que despertará com uma violência política que transforma o referendo irlandês numa brincadeira de crianças.

segunda-feira, junho 23, 2008

Isto da democracia dá muito trabalho

mugabe

Pedindo, desde já, desculpa ao críticos da paróquia

Fui ver o último Shyamalan e gostei. A avaliar pela crítica, que lhe atribuiu, no máximo, 2 estrelas, estou a perder qualidades. É certo que é a mesma crítica que atribuiu 3 e 4 e 5 estrelas ao último Indiana Jones. Mas não insistas, Mac. Estás errado.

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A reeducação musical de Miss Charlotte (20)

A reeducação musical de Miss Charlotte (19)

sexta-feira, junho 20, 2008

É mais uma opinião, claro

Notícia Público:

”A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou o reduzido grau de dificuldade do exame, sublinhando que "a nivelação por baixo" poderá ter custos futuros "muito graves".

"Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.

Perto de 100 mil alunos realizaram hoje o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.

"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.”

O que dirá a Sra. Ministra disto? Nada. Como diz a própria, a Sra. Ministra não tem que comentar «opiniões».

Tudo explicadinho

Assisti, caladinho, ao circo. Nada disse, ou escrevi, sobre o Europeu. Observei, de longe, e com algum prazer, a histeria e a idiotice militante da generalidade dos «agentes» que concorrem para fazer do futebol o «deporto rei» (dirigentes, treinadores, jogadores, jornalistas, treinadores de bancada, adeptos em geral). Para a história ficaram momentos inexcedíveis, que me levaram à quase apoplexia, como o do jornalista do RCP que, à falta de tema, descrevia os gradeamentos que ia encontrando ao longo de um percurso pedonal, algures na Suiça, ou o de outro jornalista radiofónico confessando-se triste e ofendido por Figo e Fernando Couto terem recusado falar com ele.

Como sempre, os portugueses apostaram tudo na selecção. Como nos explicou de forma tão ternurenta e segura o Dr. Carlos Abreu Amorim e o «impossível» Dr. Carlos Coelho, perante o olhar atónito de Daniel Oliveira no programa-divã da nação (o Prós e Contras), a selecção levaria o país ao colo até à redenção final, onde tudo e todos se excederiam e se reinventariam, forjando uma nova «arrancada» e um novo «espírito» mobilizador, solidário, a rebentar de auto-estima. O sonho morreu, ontem. E eu, que de futebol não percebo nada, suspirei um "esta gente estava à espera do quê?". Bastou observar de soslaio os jogos de preparação para o Europeu para perceber que tínhamos uma selecção tão coesa como o PSD. Bastou observar a soberba dos jogadores da selecção e a disponibilidade dos mesmos e do seleccionador para dar entrevistas, para perceber que tínhamos já embarcado no nosso sobejamente conhecido Titanic da «parvoeira e histeria colectivas». Bastava ter reparado nos erros tácticos e na teimosia recorrente de Scolari para perceber para onde nos encaminhávamos. Reparem só neste pormenor: o Sr. Scolari poupou os titulares no jogo contra a Suiça porque, dessa forma, os «titulares» ganhariam três ou quatro dias de avanço sobre os «cansados» alemães. Há atitude mais portuguesa e chico-esperta do que esta? A ninguém ocorreu dois factos: a) qualquer derrota nesta fase teria efeitos sobre a selecção, mesmo que fosse a berlindes contra o Cazaquistão; b) quebrar o ritmo e, para utilizar uma palavra tão em voga, o trabalho de «entrosamento» dos jogadores principais em plena prova poderia ser contraproducente. É claro que o notório, ontem, era previsível: a Alemanha com uma máquina bem oleada, tacticamente coesa, extremamente atenta; Portugal com uma defesa miserável e descoordenada, um meio campo sofrível e um ataque carregado de ansiedade.

“Ah, mas a culpa é do arbitro, que não viu o Ballack a empurrar o nosso! E do Ricardo, que é uma besta a sair à bola! Até jogámos bem! Tivemos foi azar!”

Pois.

terça-feira, junho 17, 2008

O voto

A aversão que a «Europa», o Dr. Durão Barroso e, à escala liliputiana, o Eng. José Sócrates têm pelo voto e pela consulta popular só tem paralelo com o meu asco por cobras e osgas. O «não» irlandês explica-se tão bem como o Prof. Nuno Crato nos pode explicar o resultado da soma 1+1: ninguém sabia o que era e o pouco que se sabia não aliviava um grama ao pesado fardo que cada família de classe média de qualquer país europeu (salvo raríssimas excepções) por estes dias carrega no seu dia-a-dia – cenário mais do que ideal para chumbar propostas vagas, ditadas por gente que não se conhece e com efeitos duvidosos em sede de soberania e eficácia imediata. Visto noutra perspectiva, o «não» irlandês foi uma espécie de «cut the crap» face à plasticidade de um Tratado inconsequente e um aviso para que os lunáticos de Bruxelas e Estrasburgo percebam, de uma vez por todas, que a Europa é, ainda e por muitos e bons anos, um conjunto heterogéneo de países e não uma massa uniforme de alienados. A desconfiança irlandesa perante o Tratado de Lisboa é igualzinha à que a maioria da ralé de todos os países europeus sente quando se lhes fala do Tratado e da construção europeia. A única diferença é que a Irlanda consultou o povo e isso revelou-se a céu aberto. Nos outros países, optou-se pela passagem administrativa. Bem ao jeito, aliás, da doutrina Socratiana e Barrosiana, avessa a divergências e contratempos que baralham os seus planos forjados a régua e esquadro, putativamente mobilizadores e salvíficos.

Se eu estou contra a Europa? Não. Só não gosto é de gente apressada, cega e com noções muitos duvidosas sobre o que significa respeitar a vontade popular e que lições retirar dos resultados.

socratesbarroso

Explicações de português

Leiam a crónica do Vasco Pulido Valente reproduzida aqui, de seu nome "O Europeu".

segunda-feira, junho 16, 2008

Discos de Verão

Qual Verão? Que Verão?

O assunto é sério

Junto a Ciudad Rodrigo comprou-se um dos melhores presuntos de que há memória: o Gran Reserva Coto de Galan. Porco ibérico (what else?), alimentado 100% a bellota nas dehesas da Extremadura (where else?), com cura de 2 anos (não em cascos de carvalho). O preço é uma coisa a atirar para o obsceno (cerca de 53€ o quilo) mas o resultado é sublime: gordura translúcida entremeada de forma improvável com a carninha, a «travar» ligeira e delicadamente na garganta. A carne transpira saúde e, no corte, parece manteiga. Combinado com pão alentejano (Vidigueira ou Torrão, não sejamos esquisitos), é capaz de converter ateus em religiosos fervorosos e bloquistas em neoliberais. Manter afastado de gente bruta (para que sobreviva às primeiras 24 horas).

”Allí pasean a sus anchas por encinares de miles de hectáreas, potenciando esa inimitable manera suya de infiltrar grasa, procedente sobretodo de la bellota. Esta característica genética dará lugar a las peculiares vetas blancas, que otorgan a este producto una untuosidad, aroma y sabor inigualables.”

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sexta-feira, junho 13, 2008

Países que nos salvam (e que dão lições a burocratas)

Parafraseando a grande Heidi Klum:

“One of you will be named the winner, all the other ones will be out.”

Ireland

sábado, junho 07, 2008

A humidade faz a força

sexta-feira, junho 06, 2008

Isto é bom mas, no geral, eles vão ter que se esforçar um pouco mais

terça-feira, junho 03, 2008

Saudades

Imagino-o, por estes dias, como sempre: com aquele olhar de quem está bem com a vida e consigo próprio, envergando um sorriso capaz de desarmar a mais bélica das abordagens e contagiar o mais tímido dos tímidos. Imagino-o, onde quer que ele esteja, rodeado de amigos – ele que fazia e cimentava com facilidade amizades para a vida - em alegre cavaqueira, rodeado de boa comida - regada, obviamente, a preceito – e boa música. Imagino as conversas: política, filosofia, gastronomia, ciência, futebol, música, cinema, viagens, Israel, a Palestina, arte, etc. etc. e não necessariamente por esta ordem. Com o Carlos era assim: falava-se de tudo e sempre com propriedade. Nunca o vi repetir (no sentido de plagiar) uma ideia alheia. Em suma: tinha voz própria e o respeito que se lhe tinha era, passo o pleonasmo, orgulhosamente respeitoso. Ao contrário de mim, era de esquerda, mas de uma esquerda que me fazia falta: a que açoitava regular e clamorosamente o meu lado cínico e por vezes pedante, a resvalar para simplismos maniqueístas ou soluções plásticas e absolutistas. Tinha um saber enciclopédico e uma memória de Funes: quando já ninguém se lembrava do ano, nem sequer do sítio, o Carlos ia ao pormenor da hora, da ementa, das conversas, do tempo e da gaffe do empregado. Fruía a vida como poucos e envolvia os que o rodeavam nesse espírito de forma militante. Aprendi, com ele, muitas coisas: a escolher o bom em vez do medíocre, a ser limpidamente justo no meio da confusão dos dias e do ruído de fundo, a usar mais a razão que o preconceito, a reconhecer as vantagens do lazer sobre o trabalho, a gozar a languidez dos dias em que, para nosso prazer, havia tempo para nada fazer.

Por estes dias, volto a sentir na pele aquilo que jamais esquecerei: há dois anos atrás perdi o meu melhor amigo. Tenho saudades tuas, brother.

cv2
circa 1997, durante um jantar (de antologia)

CV1
Da esquerda para a direita, todos de fraque, num casamento no norte: o Porsche, o Telmo, o MacGuffin, o Carlos, o Nuno (o nosso agente em Copenhaga) e o Renault 5.

PS: um grande beijo para a Helena.

segunda-feira, junho 02, 2008

Olha, querida, faz-me favas com chóriço

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