O MacGuffin

sexta-feira, novembro 16, 2007

Meu caro Rui

Debrucemo-nos sobre as «amálgamas». Atentemo-nos nas definições. Consideremos o significado das palavras e respeitemo-las. Afinal de contas, as palavras são o «alicerce do debate honesto». Muito bem, caríssimo Rui:
ditador do Lat. Dictatore s. m., antigo magistrado romano que exercia poder absoluto; indivíduo que, temporariamente, concentra em si todos os poderes do Estado; por ext. pessoa autoritária, despótica, que usa de prepotência.

fascista s. 2 gén., pessoa partidária do fascismo; adj. 2 gén., relativo ao fascismo.

fascismo do It. fascismo s. m. 1. ideologia e sistema político e social totalitário introduzido em Itália por Mussolini, cujo emblema era o feixe (fascio) de varas usado pelos antigos lictores romanos, significando a união nacionalista, e que se caracterizou por um controlo estatal da maior parte das actividades, pela concentração do poder na pessoa do ditador e por um nacionalismo exacerbado. 2. movimento, tendência ou ideologia com as mesmas características; 3. regime totalitário; 4. forma de poder que exerce um forte controlo ditatorial.

Rui: passemos ao exercício. Suponhamos, já a caminho da demência, que a Helena Matos - ou moi-même, teu velho conhecido nestas andanças - afirmava: “Chávez é um ditador”. À luz das anteriores definições – e não te esqueças, Rui, as palavras e o seu verdadeiro significado são um «alicerce» – confrontemos essa afirmação com a afirmação de Chávez, de que "Aznar é um fascista".

Partindo do simpático e construtivo pressuposto de que tu sabes que eu sei que tu sabes quem é Chávez e para onde caminha - e pondo de parte o estupidificante formalismo que coloca Chávez no cacifo dos «democratas» porque foi «eleito por sufrágio universal» -, ou seja, em face da realidade «concreta», explica-nos, Rui, quem é que minou «alicerces». Quem é que se distanciou do verdadeiro significado das palavras. Quem lhe faltou ao respeito. Terá sido a expressão «Chávez ditador» ou «Aznar fascista»? E, já agora, se não for pedir muito, uma informação adicional: a quantas mais cambalhotas tuas vamos nós assistir, Rui?

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quarta-feira, novembro 14, 2007

Insultos não, obrigado

O Nelson Rodrigues tinha aquela fase total e acrimoniosa: "Quando os amigos deixam de jantar com os amigos por causa da ideologia, é porque o país está maduro para a carnificina".

Quando um culto e putativo homem da esquerda orgulhosa e moralista - o cronista do Público Rui Tavares – afirma:
"Chávez fez os possíveis por encerrar um canal de televisão venezuelano que lhe era desfavorável. Mas Juan Carlos não está isento de telhados de vidro: ainda há poucos meses foi suspensa a edição de uma revista que publicara uma caricatura desfavorável à Casa Real espanhola"
fazendo a equivalência, por comparação, entre a autoritária censura de Chávez, guiada por motivos politico-ideológicos, contra o dever e o direito de escrutínio de um órgão de comunicação social, e a suspensão, por decisão judicial desencadeada pelo rei Juan Carlos, de um número de uma revista que incluía imagens obscenas do príncipe Filipe de Espanha, entrámos em que domínio: no da comicidade, no do desespero ou no do insulto à inteligência alheia?

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terça-feira, novembro 13, 2007

Não me lixem

Digam o que disserem, tendo ambos sido eleitos por sufrágio universal, Aznar tem mais de democrata num cabelo do que Hugo Chávez no corpo inteiro. Sim, meus caros, estamos todos carecas de saber que Chávez foi eleito e (bocejo) lidera um país que pertence a um continente outrora subjugado por potências «imperiais» (Espanha e tal). Ocorrem-me duas perguntas. A primeira, no que respeita à forma: a eleição fará dele um democrata? A segunda, no que respeita à moral: os séculos de jugo absolvem-no? A História moderna está repleta de «democratas» que, uma vez no poder, trilharam a via autoritária e totalitária. Chávez é disso um exemplo. O esforço que o homem tem feito para não esconder a forma primária como anda a subverter o sistema democrático, a moldar a Lei a seu proveito, a tomar de assalto as instituições representativas do Estado de Direito, a limitar as entidades responsáveis pelo livre escrutínio público na Venezuela e, por último, a atacar tudo o que seja iniciativa privada com ligações às democracias «burguesas», só pode levantar dúvidas a quem é «lé-lé da cuca» (como diria o Prof. Marcelo). A Venezuela caminha a passos largos para um Estado policial, centralizado, despótico, onde só fala quem está autorizada para tal, liderado por um «índio» que fará tudo para lá ficar até que a morte o remova da cadeira. Não contente com isso, arroga-se no direito de lançar sobre os outros epítetos que lhe pertencem. Perante isto, vêm vocês falar no tom do rei Juan Carlos? Não me lixem.

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