O MacGuffin: Tão querido, o Igor

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Tão querido, o Igor

Desagrada-me a ideia de obrigar cidadãos a declarar que pertencem à Maçonaria, quando assumem funções públicas, de carácter político. Há um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que contraria essa intenção. Em democracia, e num Estado de Direito pleno, a liberdade de associação, como outras liberdades (a de expressão, religiosa, etc.), é um direito inalienável. Por outro lado, a Maçonaria tem inscrito na sua génese e história, um papel de filantropia e de combate à ditadura que não pode ser escamoteado.

Dito isto, só a turma do Winnie The Pooh pode deixar de reconhecer o quão bizarro é, no actual estado civilizacional (com toda a parafernália de garantias, direitos e liberdades asseguradas), a existência de sociedades secretas e o temor associado à descoberta da identidade dos seus membros. Se se pode compreender a necessidade de secretismo num tempo e espaço de proibições, perseguições, repressão e clandestinidade compulsiva, hoje em dia e a Ocidente, não.

No presente, só o Piglet, a Ru, o Tigre, o Winnie The Pooh e, especialmente, o Igor, podem desconhecer a propensão clientelista desta sociedade muito anónima. Paralelamente à sua natureza altruísta, e à intenção de promover ou potenciar as virtudes do homem, a Maçonaria representa, hoje em dia, quer gostem ou não gostem os mais antigos e «puros» membros da organização, uma discretíssima teia de interesses políticos e económicos, alicerçada nos deveres de lealdade e fidelidades inter pares.

Há um dever de transparência implícito ao exercício de cargos políticos de representação. Um deputado deve estar acima de qualquer suspeita. Se, como dizem os maçons, pertencer à Maçonaria é uma «vantagem para a sociedade», porque representa uma garantia de dedicação à causa pública e à prossecução, sem tréguas, dos ideais de fraternidade e de amor pelo próximo, a revelação de pertença deveria constituir uma atitude natural e instintiva, como quem, no exercício de um cargo de administração empresarial, revela que tirou um MBA em Harvard. No caso dos maçons, na Harvard humanitarista. Vantagem do povo, pois então.

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