O MacGuffin: O topete do homem

sexta-feira, dezembro 31, 2010

O topete do homem

Fortíssimo candidato ao lugar de “Béria socrático” (tem como concorrente mais directo Augusto Santos Silva, agora mais sossegado por inerência de cargo), Capoulas Santos volta a sair da bruma aparelhista em defesa dos seus. “Eu acho que em política, mesmo em campanha eleitoral, não pode valer tudo e o expediente de que o professor Cavaco Silva se socorreu para introduzir o BPN na campanha é um ato de puro maquiavelismo político”, disse. Desconheço se Capoulas Santos acha que está a falar para uma plateia de néscios (permeável à sua lendária hipocrisia política) ou se, por estes dias, lhe falham algumas faculdades mentais básicas. Seja como for, alguém devia segredar-lhe ao ouvido uma pequena evidência: achar que foi o professor Cavaco Silva quem quis introduzir o BPN na campanha, é mais ou menos o mesmo que dizer que foi José Sócrates quem suscitou, por sua própria iniciativa, a discussão pública em torno da sua atribulada licenciatura ou dos seus projectos na Covilhã. Com a pequenina diferença de que Cavaco Silva tem um currículo académico que fala por si e, no que respeita ao BPN, o povo português sabe que não há réstia de ligação entre o cidadão Cavaco Silva e os putativos actos criminosos (que o ministro Silva Pereira já julgou antes dos tribunais) dos gestores da SLN e do BPN.

Farto de ser atacado, de forma insidiosa e maliciosa, por um assunto que não lhe diz respeito (o BPN), Cavaco Silva tem o legitimo direito de falar no mesmo - pronunciando-se, neste caso, não sobre matéria que está sob a alçada da justiça (e se os dirigentes e militantes do PS tanto se queixaram de, no passado, se discutirem assuntos de justiça na praça pública, deveriam ser os primeiros a compreender isso), mas sobre o presente de um banco que, é bom lembrar, foi nacionalizado com o objectivo de salvar o sistema financeiro português.

É legítimo e compreensível que Cavaco Silva levante a questão da eficácia do processo BPN pós-nacionalização (assunto, repito, que não chamou à colação, e solução que lhe suscitou dúvidas desde o início), tanto mais que parece estarmos na presença de um buraco sem fundo. E quem vai pagar a facturinha, Sr. Capoulas Santos? Quer que lhe faça um esquema em powerpoint?

1 Comentários:

Blogger Núncio disse...

Passei por aqui e surpreendi-me pela clareza de espírito.
É bom receber este banho frio, porque às vezes penso que devo estar a enlouquecer, de tão sozinho que me sinto na análise de certos problemas...
Parabéns!

www.odivademaquiavel.blogspot.com

6:30 da tarde  

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