O MacGuffin

quinta-feira, outubro 16, 2003

CONDIÇÃO: HUMANA
Um blogger da nossa praça teve a amabilidade de me enviar um hate mail, impregnado de impropérios dirigidos ao autor do Contra a Corrente – moi même – em resposta a uma inquietação deste, dada a conhecer, também por e-mail, dois dias antes: que razões o levavam a embirrar com o Contra.
O excelso blogger – que, é bom que se diga, não é autor de nenhum dos blogues aqui referenciados ao lado – puxou da sua notória presunção para me acusar, num tom reles e paternalmente altivo, de “narcísico”, “reaccionário”, “vulgar”, “um Zé” autor de “afirmações gratuitas e desajustadas”, saídas da “botica de alguma sede partidária, ou do vestíbulo de um qualquer bar em manhã solarenga”.
Está visto que o caro blogger me conhece. Saídas à noite, a bares e antros do género, são habituais. São inúmeras as vezes em que, no regresso a casa, me cruzo com a minha filha a caminho da escola. Há muito que frequento os mais badalados vestíbulos da movida eborense – mas, diga-se, em abono da verdade, sem grandes resultados práticos no campo da política. Sedes partidárias? São um dos meus fétiches. Tenho um pezinho em todas (não vá o diabo tecê-las). Narcísico? Padeço, infelizmente, desse mal, ao contrário, claro está, do meu caro colega blogger. Sou assolado, ciclicamente, por aspirações cesarianas. O facto de usar um pseudónimo é para disfarçar. Faço minhas as palavras do Nelson Rodrigues: sou um narcisista relapso, muito relaxado na administração da minha glória. Tiros ao lado? Apenas um: o meu nome próprio é Carlos, não José.
Convém, contudo, deixar de lado a ironia para confessar algumas fraquezas. A primeira, a imediata e mais brutal: sou precipitado a escrever. Erro e arrependo-me com frequência. Sinto que, por vezes, sou injusto. Mas não apago. Outra: penso que quem me lê me conhece minimamente. Esqueço que não: há quem possa interpretar às avessas o tom e o teor do que aqui é escrito. Ainda outra: tenho o mau hábito de escrever o que penso sem filtros, paninhos quentes ou cosmética. Contradições? São às dezenas. Sou um portento de falibilidade. Lembro-me sempre do Captain Leith, no Bitter Victory (esse fabuloso filme de Ray): I always contradict myself (evocando, também, Whitman). Eis um lindo epitáfio. Alguém tomou nota?

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