O MacGuffin

terça-feira, novembro 06, 2007

Auto-Moralistas

Sim, sim: a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, de quem recebo amiúde cartas e comunicados, tem todo o direito de existir e terá, certamente, um papel a desempenhar (e, estou certo, um papel importante). Mesmo correndo o risco de ser conotado com os «aceleras», os «irresponsáveis» ou, no limite, os «criminosos» encartados, agradecia, contudo, que a referida associação perdesse, um pouco (vá lá, não é pedir muito), a pesporrência que coroa os seus comunicados e as suas movimentações mediáticas, nomeadamente aquela postura de implacabilidade moral. No triste incidente de atropelamento no Terreiro do Paço, da passada semana, ainda o inquérito estava no início e já a dita associação crucificava a condutora como se a mesma fosse a encarnação do diabo. Faltavam, na altura, alguns elementos elementares (passe o pleonasmo) para a apreciação do caso: o sinal dos peões estava verde ou vermelho? Só peço que afinem o tom e respeitem, também, os «criminosos». Quem nunca errou ou teve azar ao volante que atire a primeira pedra.

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domingo, outubro 21, 2007

Shut the fuck up donny!

Gosto de blogues. Gosto de programas televisivos onde se opina sobre tudo e mais alguma coisa. Gosto de colunas de opinião nos jornais, incluindo aquelas de que discordo visceralmente. Gosto de observar os tiques e maneirismos da malta da opinião. Gosto de analisar, com o tempo, a historiografia facial do senhor professor universitário, do senhor deputado, do senhor general, do senhor presidente, do senhor escritor. Gosto dos fóruns radiofónicos, onde o direito à indignação é festival de ulcerações por via biliar. Sim, há gente a mais a opinar. Há excesso de assuntos. Fala-se muito alto de tudo e por nada. Sei do que estou a falar. Faço parte da matilha. Conheço os meus excessos como ninguém. A vaidade e a presunção são-me familiares. Pratico-as regularmente. E reconheço-as nos outros, embora muitos acreditem que estão vacinados contra tais delirios.

Entendam-me: tudo isto está bem. A democratização do acesso à opinião publicada e falada só poderá aborrecer os donos das coutadas e os respectivos caseiros. O problema, claro, é outro. O problema nasce no momento em que ao endurecimento vocal se junta a seriedade formal, a objectividade confessada, a presunção fanática, o gesto teatral. Há gente que se leva demasiado a sério. Demasiadas vezes. É um espectáculo triste na forma e patético no conteúdo. Há gente para quem a auto-ironia e o sentido de humor são uma galáxia distante. E é vê-los, por aí, seríssimos, a jurar que sabem tudo, sentem tudo, perscrutam tudo e todos.


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