O MacGuffin: Teríamos homem

sábado, fevereiro 05, 2005

Teríamos homem

Desta vez, o Dr. Augusto Santos Silva debruça-se (Público 05.02.2005) sobre os modos de «consolidar» (ou «cumprir») a democracia portuguesa. Segundo o «professor universitário», há por aí «fingimento» a mais na maneira como certos plumitivos se revelam às massas. O Dr. Santos Silva acha que o mal reside na putativa hipocrisia dos que, apresentando as vestes de independentes e imparciais (como é o caso dos jornalistas), não passam de gente engajada com o poder, o partido A ou B, a ideologia X ou Z. Como diria o Dr. Ferro Rodrigues: uma patifaria!

Para inicio de conversa, seria bom que o Dr. Santos Silva reconhecesse que o próprio é um dos que contribui para a confusão. Seria bom que mandasse acrescentar à condição de PROFESSOR UNIVERSITÁRIO com que assina as suas opiniões, o título de "Militante e Dirigente do Partido Socialista”. Para efeitos de «clarificação» só lhe ficaria bem.

Se quisesse continuar a contribuir para o debate de forma correcta e elevada, o Dr. Santos Silva acrescentaria ao elenco dos “casos inqualificáveis”(sic) (onde se limitou a incluir o nome de Luis Delgado) o nome do plumitivo e seu amigo Luis Osório – de longe a figura mais patética na noite do debate entre Santana e Sócrates, ao ponto de fazer de Delgado o mais imparcial dos homens à face da terra.

De seguida, o Dr. Santos Silva falaria na sua trupe: a trupe dos "políticos-no-activo-que-acham-por-bem-botar-opinião-com-o-ar -mais-sério-e-independente-do-mundo", que por estes dias tomou de assalto as páginas de opinião dos jornais e semanários portugueses (salvo raríssimas excepções). Falaria à maneira do Dr. Gomes da Silva: não há país nenhum na Europa onde a promiscuidade entre políticos, dirigentes partidários, jornalistas e redactores, por entre resmas de publicações autoproclamadas «sérias», atinge níveis tão magnificentes. O que talvez explique a ingénua constatação do professor universitário, em jeito de reprimenda, de que “opiniões públicas sobre os conteúdos do debate político são opiniões políticas” e não “apreciações técnicas”. Não me diga?

Por último, apontaria o modelo anglo-saxónico, como aliás o fez timidamente no derradeiro paragrafo da sua crónica, como o mais saudável dos modelos, em que todos assumem o que são e para onde vão. Em prol da transparência e da honestidade intelectual.

Se assim fosse, teríamos homem.

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