O MacGuffin: AUTO-ESTIMA

segunda-feira, novembro 29, 2004

AUTO-ESTIMA

Interessante este post da Charlotte. Interessante e certeiro. Não há, de facto, muita pachorra para aquelas pessoas que se melindram por tudo e por nada, e que cogitativamente tratam de truncar ou acrescentar sentidos obscuros a palavras, gestos e atitudes. Regra geral, a culpa é da auto-estima: são pessoas que gostam muito pouco de se olhar no espelho. Falando um pouco de mim, sou dos que sofre, de vez em quando, e ainda que ligeiramente, de falta de auto-estima. As razões são múltiplas. Para além das de ordem particular – que se prendem com a nossa educação e com a nossa história - são sobretudo outras as razões que abanam o edíficio (apesar das boas fundações) da minha auto-estima: a noção exacta das minhas limitações e, como ser humano, a percepção clara da propensão humana para o mal, para o falhanço, para a mesquinhez, para a corrupção. Mas, ao contrário do que afirma a Carla e parece ser norma, no meu caso a coisa tem dado para uma acérrima defesa de uma cultura de honestidade e frontalidade, para o cultivo e preservação das amizades, e para um sentido apurado do que significa a palavra «tolerância» quando, por vezes, tudo o resto parece falhar nos «outros». E digo “parece” porque, com o passar dos anos, aprendi que nem sempre o que parece é, e nem sempre o que é prescinde de uma segunda leitura: a que advém da tentativa de nos colocarmos na pele do «outro». No fundo, é aquela coisa do “benefício da dúvida” e da boa-fé na hora de perceber as razões do «outro» (e há muita gente que nem sabe, nem nunca perceberá, o que isso é). O problema são mesmo os casos clínicos.

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