O MacGuffin

sábado, agosto 23, 2003

O CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
De JMF, do Terras do Nunca, recebi a seguinte missiva: ”Dois dias depois de um louco terrorista ter feito explodir um autocarro cheio de crianças em Jerusalém, o governo israelita mandou matar com cinco mísseis um dos dirigentes mais moderados do Hamas. Quem o considerava moderado não era o José Goulão ou o Francisco Louçã. Eram os media americanos e o primeiro-ministro palestiniano, o único interlocutor válido para os americanos. E, na qualidade de moderado, era um dos dirigentes do Hamas com quem o governo palestiniano dialogava na tentativa de levar o movimento a abandonar as armas. Essa é, como se sabe, uma das condições essenciais para que o road map e a paz possam ter sucesso.
Pois foi precisamente esse o homem que Israel matou.
Eu, que nunca tive a mais pequena dúvida em condenar o terrorismo e que nunca chamei terrorista ao governo de Israel, gostaria de saber como classificar o que Israel fez ontem.”


Caro JMF: obrigado pela sua mensagem. Como deve calcular, não creio que as acções do governo de Ariel Sharon sejam imunes à critica. Não concordo – não posso concordar – com o velho conceito do “olho por olho, dente por dente”. Mas compreendo. Caramba: se por todo o lado se tenta «compreender» porque razão homens e mulheres se fazem explodir (há quem, simplória e ingenuamente, acredite tratarem-se de acções de gente desesperada perante a miséria em que vive...), ceifando a vida a civis inocentes, assiste-me o direito de tentar compreender porque razão Israel retalia. Até porque não estamos em presença de retaliações cegas. Elas têm um alvo: os terroristas e os membros das organizações radicais que têm sonhos húmidos envolvendo a pulverização de Israel (se Israel quisesse retaliar da mesma forma, seria fácil. Extremamente fácil.) E um terrorista, para mim, não merece compreensão. Mereceria uma eventual condenação. Mas, caro JMF, 'cadê elas'? Quem, do lado de lá, as aplica? Nessas circunstâncias, não terá um Estado o direito a se proteger? Não terá o direito de prevenir futuras acções terroristas?
Volto atrás: nesta história, ninguém está isento de culpas. Estamos em presença de um longo conflito – impregnado de ódios recalcados, de promessas quebradas, de traições, de equívocos, de uma violência diária, permanente. Dir-me-ão que o outrora David se transformou num Golias. Não creio. O problema reside no facto de, em Israel, se ter acabado por produzir, ao longo de décadas, um excesso de anticorpos que não hesitam em manifestar-se contra os focos de infecção que insistem em ceifar a vida das suas crianças, mulheres e homens - que «apenas» se encontram no lugar errado, à hora errada. Mas essa é uma questão que não pode resumir-se em meia dúzia de parágrafos.
Quanto à sua observação sobre a natureza supostamente moderada do recentemente falecido membro do Hamas, parece-me um pouco inconsequente dissertar sobre o assunto. Ele foi morto depois do atentado. Não foi a sua morte que desmotivou o Hamas a “abandonar as armas”. E, desculpe a questão: um membro do Hamas "moderado"? Pois...

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