O MacGuffin

quarta-feira, agosto 20, 2003

O VELHO E CÍNICO RELATIVISMO MORAL
Na SIC Notícias, Cáceres Monteiro acaba de afirmar que, no conflito israelo-palestiniano, estamos em presença de "terrorismo contra terrorismo". Trata-se da velha equivalência entre “terrorismo de Estado” e “terrorismo de sobrevivência”. Para certa gente, claro está, não há diferenças de ordem moral.
Cáceres Monteiro devia saber que existe uma diferença entre: a) um Estado que promove ou fecha os olhos ao terrorismo instituído contra outro Estado vizinho, envolvendo alvos indiscriminados e não militares; e b) a intervenção de forças militares, pertencentes a um Estado de Direito, sobre alegados membros de organizações terroristas, mesmo sem julgamento ou condenação formal (aliás, falar em "julgamentos" ou "condenações formais" à luz de princípios legais tal como nós os conhecemos no Ocidente, quando um dos Estados falha nas condenações ou se recusa a entregar ao Estado atacado os autores materiais ou morais desses crimes, é conversa da treta).
Quando um suicida faz explodir um autocarro carregado de mulheres e crianças, ou provoca uma explosão à porta de uma discoteca frequentada por jovens, é sua intenção causar o maior número de mortes em inocentes. Indiscriminadamente. Quando os helicópteros israelitas disparam sobre alvos palestinianos, a sua intenção não é a de matar inocentes civis (embora colateralmente o possam fazer), mas antes a de aniquilar objectivamente quem perpetra o terror e quem o planeia. É uma diferença abismal. Não perceber isto é não perceber nada. É aceitar a barbárie e desviar o olhar sobre a lógica assassina e abjecta do terrorismo. Pior: é banalizar o terrorismo, através da equivalência dos males. E digo isto mesmo tendo em linha de conta os atropelos que Israel tem perpetrado, incluindo a sua nefasta política de colonatos.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial

Powered by Blogger Licença Creative Commons
Esta obra está licenciado sob uma Licença Creative Commons.