O MacGuffin

quinta-feira, abril 03, 2008

De repente, as «suspeitas»

Notícia Público:
Uma estação de televisão do movimento palestiniano Hamas transmitiu um programa infantil de marionetas que mostra uma criança a matar George W. Bush. O programa vem aumentar as suspeitas de que o Hamas está a usar técnicas de propaganda para encorajar as crianças a lançar ataques.

Na cobertura do conflito israelo-palestiniano, a consciência jornalística da paróquia dá sinais de que está prestes a passar do Jurássico para o Cretáceo. Repare-se que chegaram hoje à constatação de que há «suspeitas» de que o Hamas está a usar técnicas de propaganda para encorajar as crianças a lançar ataques. Para o ano, mais coisa menos coisa, chegarão ao Paleogeno. Precisamente no dia em que descobrirem que as suspeitas deram lugar a certezas. Depois logo se verá.

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quinta-feira, março 27, 2008

Sobre a presença de Angela Merkel na Knesset

Esther Mucznik, no Público (27/03/2008):
Mais do que qualquer outro dirigente alemão, Angela Merkel reflecte a nova realidade do relacionamento judaico-alemão. Seja na Knesset, dirigindo-se aos deputados, ou no memorial do Yad Vashem, ela é autêntica, sincera, comovente. No seu estilo discreto e claro, não ameniza as palavras, não busca subterfúgios, quando se refere à "vergonha que para nós alemães representa a Shoah". Neste como noutros aspectos, Angela Merkel difere da maioria dos outros dirigentes alemães e europeus. Por ser mulher? Talvez também, mas a diferença está em que ela representa o melhor da consciência crítica da Alemanha, numa Europa que substitui de forma demasiado ligeira a reflexão de fundo sobre o Holocausto por um rápido bater com a mão no peito. O seu sentimento de responsabilidade face ao Holocausto é ainda agravado pela hostilidade feroz face a Israel por parte da Alemanha de Leste - onde Merkel cresceu -, quando fazia parte integrante do bloco soviético e negava qualquer responsabilidade no genocídio dos judeus.

Criada na impropriamente denominada República Democrática da Alemanha, Angela Merkel viveu suficientemente o quotidiano totalitário para adquirir uma clareza moral e política que lhe permite ver o mundo e nomeadamente o Médio Oriente com uma perspectiva diferente daqueles para quem a liberdade, de tão óbvia, se tornou banal. Melhor do que muitos, ela poderá entender Israel não apenas como uma nação em luta pela sobrevivência, mas como símbolo e palco do combate de morte que hoje se trava entre os valores de liberdade e democracia e os do obscurantismo e da barbárie. Talvez a experiência amarga da ausência de liberdade lhe permita entender que a defesa de Israel hoje não é apenas um resgate do passado, mas um combate civilizacional decisivo.

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