O MacGuffin: Loop

terça-feira, novembro 02, 2010

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Notícia Público:
O PS garantiu que as medidas para concretizar o acordo com o PSD sobre o Orçamento do Estado vão cingir-se à despesa. A garantia é do porta-voz e líder parlamentar socialista, Francisco Assis, numa conferência de imprensa em que se congratulou com o entendimento alcançado.

Para Francisco Assis, o acordo alcançado "vai no sentido da redução da despesa. Isto é, os 500 milhões de euros que resultam de uma diminuição da receita fiscal em função da introdução das alterações agora acordadas será resolvido através de uma redução na despesa pública".

O PS reagiu assim ao acordo, pouco depois de a direcção do PSD ter anunciado a sua abstenção da votação do Orçamento e a expectativa de ouvir, "em sede de especialidade, apresentar as eventuais acções e medidas adicionais de redução de despesa que se revelem indispensáveis para a concretização do entendimento".
Alguém acredita nisto? Se o efeito deste acordo (os tais 500 milhões que Francisco Assis e Teixeira dos Santos têm feito questão de evidenciar) não é o mais perfeito álibi para aumentar impostos, nenhum outro será. As exigências do PSD (em vez de apresentar um modelo global, integrado e alternativo de orçamento, que melindrasse de uma vez por todas algumas áreas sagradas da governação e servisse simultaneamente o objectivo de estimulo à economia, o PSD optou por cinco ou seis exigências pontuais) e o tipo de acordo alcançado, propiciam um mais que provável aumento de impostos em 2011. Tanto mais que, com a perspectiva da queda do governo em 2011 (e de novas eleições), o animal político que nos governa não irá deixar os seus atributos por mãos alheias. Ao contrário do que afirma Francisco Assis, o acordo não vai no sentido da redução da despesa coisíssima nenhuma. Em boa verdade, nada de concreto ficou acordado no lado da despesa. No final do primeiro trimestre de 2011, o governo prepara-se para invocar os efeitos (nefastos) do acordo para justificar um aumento de impostos (e com isso financiar o descontrolo de uma despesa que não se pretende controlar em ano de eleições). Em suma: mais do mesmo.

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