O MacGuffin: Ave estrigiforme

sexta-feira, setembro 25, 2009

Ave estrigiforme

A menina f. (Fernanda Câncio) anda a tentar vender há dias a ideia de que, em Portugal, esta foi a primeira vez que um assessor de um titular de um órgão de soberania entregou um «dossier» a um jornalista para este «investigar». Alguém minimamente sério ou lúcido tem dúvidas de que uma boa parte das notícias sobre «política» em Portugal nasce assim (no DN, no Público, no CM, etc.) e que muitas vezes é este o ponto de partida para investigações jornalísticas?

Oxalá nunca ninguém viole, lá para os lados do DN da menina f., correspondência privada entre jornalistas da casa, entregando de seguida o pacote via agência de comunicação a um outro órgão de comunicação concorrente, sob o pretexto de se tratar de assunto de «interesse nacional».

O email revelado pelo DN não acrescentou nada a não ser um nome. Um nome para a Fernanda é o que basta para se invocar o «interesse nacional». Era assim, no tempo da «outra senhora« (também posso invocar Salazar, não posso?).

9 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

"O email revelado pelo DN não acrescentou nada a não ser um nome."

pelo amor de deus.

2:44 da manhã  
Blogger MacGuffin disse...

Pelo amor de Deus?

1.ª Já se sabia que a fonte vinha de Belém (e que os jornais vivem de fontes);

2.º Já se sabia das peripécias do homem do PS numa viagem do PR à Madeira e do incómodo provocado no seio da comitiva presidencial;

3.º Já se sabia que o PR estava preocupado com a hipótese de estar a ser escutado.

De resto, o email revelou-nos um nome: Fernando Lima.

Quanto ao resto, o Sr. ou a Sra. Anónimo(a) pensará o quê: que os jornalistas não trocam informações desta natureza e naquele tom, e que há muitos assuntos que têm como ponto de partida estes «dossiers»? Não seja ingénuo(a).

10:25 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

"Encontramo-nos hoje às 9 h da manhã num café discreto na avenida de Roma e foi logo direito ao assunto, estava ali para falar comigo a pedido do presidente da república"

isto é relevante.

"o presidente da república acha que o gabinete do primeiro-ministro o anda a espiar"

isto é relevante.

"O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para início do trabalho (até porque a eles também lhe interessa que isto começa na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim)"

isto é relevante.

"12. Esta história só é do conhecimento do PR, do Lima, minha, do Zé Manuel Fernandes"

isto é relevante.


Repare: tudo o que transcrevi pode ser falso. Tudo mesmo. Não sei eu, não sabe você. Apure-se até à última. Mas há aqui matéria de interesse público. Porquê? Porque o mail implica DIRECTAMENTE o Presidente da República. Se acha que isto pouco interessa, estamos conversados. Se o mail for falso - ou se Cavaco confirmar e comprovar alguma suspeita de vigilância - que se puna o DN e que Sócrates seja de imediato demitido (caso venha a ser reeleito). Demitido na hora, como é óbvio (mas aí impõe-se a pergunta: por que motivo, até à data, Cavaco deixou arrastar a situação e nada fez, deixou arrastar o seu silêncio com as consequências que conhecemos). Caso contrário, o Presidente da República - por culpa própria, diga-se - fica numa posição horrível, não sei se insustentável. Tem a palavra o PR depois das eleições.

2:39 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

Cara(o) Anónima(o)

Antes da publicação da notícia no DN (aquela com a transcrição do email), já sabíamos que:

1. A Presidência da República andava desconfiada de andar a ser escutada;

2. O Público tinha sido o jornal a avançar com a notícia e que era este órgão de comunicação que estava a investigar o caso;

3. O Público devia ter tido acesso a informação que alguém, algures, ligado à presidência (directa ou indirectamente), passou ao jornal (não se sabendo em que termos e com que fundamentos);

4. Por se tratar de matéria delicada, muito provavelmente só duas ou três pessoas estariam ao corrente da questão antes de a mesma vir a público pelo jornal Público.

Repito: o que a notícia do DN acrescentou foi o nome de Fernando Lima (desmascarando, desta forma, a fonte do Público), o pormenor do café discreto da Avenida de Roma e pormenores irrelevantes que se prendem com o 'modus operandi' dos jornalistas.

Para além da notícia, a questão de fundo é relevante? É. Aliás, já era relevante antes do DN a publicar. A notícia do DN (transcrevendo emails privados trocados entre jornalistas de outro jornal) acrescentou um mundo de novos dados relevantes? Não. Ligou directamente o Presidente da República? Não sabemos.

A notícia do DN, feita naqueles termos, foi abjecta e serviu básica e unicamente fins políticos. Daí ter saído agora e daquela forma.

Finalmente, se eu estou contente com o silêncio de Cavaco Silva? Obviamente que não. Das duas uma: ou tem alguma coisa para dizer - e diz - ou não tem nada para dizer - e diz na mesma, para acabar de vez com a especulação.

3:43 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

"A notícia do DN, feita naqueles termos, foi abjecta e serviu básica e unicamente fins políticos. "

E a do Público em Agosto? Não serviu fins políticos? Foi inocente?

"Ligou directamente o Presidente da República? Não sabemos."

Não sabemos? Desculpe, o mail escrito pelo jornalista do Público liga directamente o PR ao caso. Pode ser falso, mas não diga "não sabemos".

Não sabemos?
"estava ali para falar comigo a pedido do presidente da república"
"o presidente da república acha que o gabinete do primeiro-ministro o anda a espiar"
"12. Esta história só é do conhecimento do PR, do Lima, minha, do Zé Manuel Fernandes"

Não sabemos? Existem três referências directas ao PR. Não escreva "não sabemos". Pode não ser verdade: 1) Pode FL ter falado com o jornalista do Público invocando em vão o nome do PR 2) pode ser um mail falso (não acredito, mas admito a hipótese).

A verdade é que o liga directamente.

E daí que vem a gravidade. Daí eu achar que existe interesse público.

João Moura

5:54 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

«Pode não ser verdade» e «não sabemos» são mais ou menos a mesma coisa, não acha?

Se eu disser «Não sabemos se Fernando Lima invocou o nome de Cavaco em vão, agindo à revelia do PR», penso que não estarei muito distante da afirmação «Pode não ser verdade aquilo que Fernando Lima disse quando disse que estava ali a pedido do presidente».

É assim tão diferente? Agora é a minha vez: pelo amor de Deus.

9:57 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

não tenho intuito de discutir questões linguísticas por muito que lhe dêem jeito para o momento. o mail liga directamente o PR ao caso. dê as voltas que der. escreveu "não sabemos". eu escrevo "sabemos", não há cá meias tintas, meias palavras frouxas. está lá bem escrito no mail, basta saber ler. se é verdade o que lá vem, se é mentira, é assunto a ser esclarecido a posteriori por quem de direito. tem a palavra o PR. o país, tenho ideia, agradece. o caso já é grave, o caso pode ser gravíssimo.

jm

2:43 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

Não é uma questão de me dar jeito neste ou noutro momento. A linguagem e a linguística são importantes, seja em que momento ou contexto. Aquilo que eu estou a tentar dizer-lhe é simples e só por teimosia o João insiste em não perceber (até porque, de certa forma, o João está a dizer o mesmo):

1. Antes do email, JÁ SABÍAMOS que a fonte era de Belém e que a presidência estava envolvida;

2. Depois do email, passámos a saber que foi o assessor do presidente, Fernando Lima, que contactou o jornal e passou informação sobre as suspeitas de escutas;

3. Não sabemos se o assessor agiu por conta própria ou a mandado do presidente. À partida, terá agido por conta própria, caso contrário não teria sido demitido. Mas não sabemos se assim foi. Ou seja, pode ser ou não verdade que o PR esteja directamente envolvido.

“Se é verdade o que lá vem, se é mentira é assunto a ser esclarecido a posteriori por quem de direito”, escreve o João. Ou seja: não sabemos, certo?

Abraço

10:16 da manhã  
Blogger MacGuffin disse...

Não é uma questão de me dar jeito neste ou noutro momento. A linguagem e a linguística são importantes, seja em que momento ou contexto. Aquilo que eu estou a tentar dizer-lhe é simples e só por teimosia o João insiste em não perceber (até porque, de certa forma, o João está a dizer o mesmo):

1. Antes do email, JÁ SABÍAMOS que a fonte era de Belém e que a presidência estava envolvida;

2. Depois do email, passámos a saber que foi o assessor do presidente, Fernando Lima, que contactou o jornal e passou informação sobre as suspeitas de escutas;

3. Não sabemos se o assessor agiu por conta própria ou a mandado do presidente. À partida, terá agido por conta própria, caso contrário não teria sido demitido. Mas não sabemos se assim foi. Ou seja, pode ser ou não verdade que o PR esteja directamente envolvido.

“Se é verdade o que lá vem, se é mentira é assunto a ser esclarecido a posteriori por quem de direito”, escreve o João. Ou seja: não sabemos, certo?

Abraço

10:16 da manhã  

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