O MacGuffin: A diferença

quinta-feira, julho 17, 2008

A diferença

Notícia Público:
Em Naqura, no Sul do Líbano, [o Hezbollah] encenou uma recepção triunfal aos presos, designadamente a Kuntar, erigido em herói da nação árabe. Milicianos do Hezbollah, montados em cavalos engalanados de amarelo (a cor do movimento), tapetes vermelhos no chão e bandeiras gigantes. Um cartaz dizia: "O Líbano derrama lágrimas de alegria, Israel lágrimas de dor". O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, decretou feriado nacional. A sua televisão, Al-Manar, transmitia as palavras da mãe de um dos presos: "Nasrallah, tu devias ser proclamado rei dos árabes".

De um lado, um povo chora o regresso de dois soldados do seu exército dentro de dois caixões. Do outro lado, gente que celebra a entrega desses dois caixões e o regresso de alguns carniceiros vivos (um deles assassinou uma criança de quatro anos à coronhada).

De um lado, a noção da tragédia, o sentido do pesar, a solenidade de um momento triste, o simbolismo de um episódio sombrio, na longa e sofrida história de um povo e de uma região. Do outro, grita-se vitória, ergue-se a festa, elegem-se os heróis, nomeiam-se os santos e os reis.

Encontramos, nestes comportamentos antagónicos, toda a diferença. De um lado, o que nos resta, como seres humanos, em matéria de decência e de moral. Do outro, o fanatismo bárbaro, cego, amoral.

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