O MacGuffin: PLURALISMO VS. RELATIVISMO

terça-feira, novembro 30, 2004

PLURALISMO VS. RELATIVISMO

Leio a Esquerda lusa – generalizo, eu sei – e deparo-me com níveis estonteantes de relativismo, associados a manifestações de pura intolerância. Vem isto, ainda, a propósito do caso Theo van Gogh, do multiculturalismo, da tolerância, etc. É gritante a confusão que a Esquerda faz entre relativismo e pluralismo (da mesma forma que a Direita, por vezes, se deixa enredar num monismo bacoco, incompatível com a natureza mutável de qualquer sistema moral razoável). Na ânsia de defender a diversidade (de valores, modos de vida, etc.) e de sustentar a ideia de que, não sendo incondicionais, os valores dependem do seu «contexto», a Esquerda esquece um pormenor importante: a existência de valores com autoridade suficiente para suplantar contextos e condicionalismos. Há valores secundários que podem, e devem, reflectir diferenças (a tal ideia de «diversidade»). Mas importa perceber que, ao fazer depender a pluralidade de valores (de todos os valores) do seu contexto, se está a excluir a possibilidade de crítica ou de justificação objectivas, bem como a nivelar valores secundários a valores primários (não necessariamente absolutos). Não perceber isto pode ser, a médio prazo, algo de pernicioso para as sociedades ocidentais.

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