O MacGuffin: DECONSTRUCTING DERRIDA

domingo, outubro 17, 2004

DECONSTRUCTING DERRIDA

Há muito, muito tempo atrás, numa conferência em Cambridge, um infeliz jornalista teve a veleidade de perguntar a Derrida “resuma, em poucas palavras (in a nutshell), o que é o descontrutivismo”. Talvez por faltarem a Derrida, no momento, as palavras adequadas (et pour cause...), um discípulo de Derrida apressou-se (um descontrutivista não pode ser apanhado sem resposta) a dizer que a utilização do termo nutshell era inepto na medida em que ”encerrava e fechava”, “protegia e abrigava”, “reduzia e simplificava” – ao fim e ao cabo, o contrário do que se pretendia alcançar com a empresa desconstrutivista: abrir, expor, complicar, expandir, quebrar fronteiras, transgredir limites e normas, implodir invólucros e embalagens teóricas.

No universo Derridiano encontramos uma superabundância e uma superfluidez de significados incompatível com a ideia, por exemplo, de uma frase significar apenas o que nela se encontra escrito. O universo Derridiano é um espaço aberto à suspeição e à desconfiança, no qual a linguagem adquire uma dinâmica e vida próprias. Cada palavra passa a ser assombrada pela fantasmagórica ausência das que dela diferem.

O papel do desconstrutivista é o de remover a trela que a sociedade impôs à linguagem, fazendo com que os conceitos mentais dependam da multiplicidade de significados. Resultado imediato? Adeus ao bom e velho Logos pré-socrático: o saber ancestral e metafísico, produto de significados transcendentais, já era. Se o «normal», o «consensual», o que é «comummente aceite» são critérios para a verdade, então toca a colocar ao largo, e o mais possível, esse pragmatismo castrador. Só assim se pode pôr termo à tentativa de exclusão dos elementos marginais que ajudam a contradizer os «consensos» e as «convenções», e que abrem caminho a uma nova «estrutura», a um novo «esqueleto».

O desconstrutivismo lançou a ideia de que, tal como Deus, a Verdade e a Falsidade estão mortas. E que obsoletas estão também as noções de humanismo e individualismo. O desconstrutivismo relegou a ideia de verdade para territórios longínquos e enredou-se em intermináveis jogos que permitissem à escrita gerar mais escrita, à interpretação gerar mais interpretação, etc. etc.

Fazendo minhas as palavras do João e do Alberto, sou incapaz de alinhar com quaisquer tentativas de subversão (leia-se «desconstrução») da verdade. Para além do eventual aspecto lúdico, o edíficio Derridiano disse-me absoluta e objectivamente nada. Rien. Nicles.

Agora, amigo Luís, venham de lá essas «críticas» – na certeza, porém, de que não passarão de «interpretações» do meu post, o qual não passa de uma «interpretação» do universo Derridiano, universo este que não passa, por sua vez, de uma «interpretação» do... (e por aí fora).

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