O MacGuffin: ESQUERDA, DIREITA, VOLVER

quarta-feira, outubro 13, 2004

ESQUERDA, DIREITA, VOLVER

Segunda-feira passada, no programa Prós e Contras (RTP1), debatia-se a dicotomia esquerda/direita. De um lado (da esquerda), o demagogo de serviço (o irmão Anacleto Louçã), do outro (da direita) o básico de serviço (Nuno Magalhães, do CDS). Resultado: confusão. Entre alguma ignorância declarada (Manuel Alegre, por exemplo, nunca tinha percebido que, historicamente, o economicismo, na política, foi uma ideia de esquerda) e a tentativas estupidamente desajustadas de associar acontecimentos e fenómenos actuais a correntes ideológicas (“ser contra o aborto é de direita”, “Guantanamo é de direita”, etc.), a discussão serviu, acima de tudo, para confirmar que a visão que se tem da direita é, ainda hoje, resultado da forma como a esquerda a pensa e julga. Em Portugal, a direita nunca aprendeu a falar de si própria ou, como se costuma dizer, a «marcar a sua própria agenda».Tem, aliás, imensa dificuldade em explicar-se, deixando-se enredar na teia que a sua «antagonista» habilmente tece, e que vai dar sempre ao mesmo: "nós é que somos bondosos", "nós é que somos amigos dos pobres", "nós é que somos pela liberdade", "nós é que somos contra o autoritarismo e a favor da tolerância", "nós é que somos progressistas", etc. etc. etc. Resultado: a direita é observada e discutida à luz de paradigmas aprioristicamente formatados pela esquerda. E, defeito habitual, confunde-se a praxis do lider A ou do governo B (só porque são de direita) com a ideologia - é sabido, nem sempre coincidem. Daí a propensão para a caricatura, para o simplismo, para o disparate. Manuel Alegre, por exemplo, encheu o peito para tossir um anátema: a direita, coitada - burra, estúpida, antiquada - é “tradicionalista”. Mas nem por um minuto explicou o que entende por «tradição» (outra palavra tão mal explicada) e em que medida e circunstância esta surge no espaço da direita.

À excepção de Jaime Nogueira Pinto, Pedro Lomba (certeiro, seguro e revelando excelente sentido de humor) e, a espaços, Manuel Alegre, o debate serviu para arremesso de meia dúzia de clichés e slogans politiqueiros, com Louçã, por exemplo, a regurgitar as bandeiras e as denúncias do costume. Por incrível que pareça, até a história da reforma de Mira Amaral veio à baila (Louçã ter-se-á esquecido que a reforma de Mira Amaral é filha, afinal, do seu querido Estado Providência?).

Uma ultima nota sobre Luis Osório. Er… bem, é melhor não. Este blogue prima pela polidez e civilidade.

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