O MacGuffin: Desenganem-se

sábado, fevereiro 13, 2010

Desenganem-se

E perguntam V. Exas.: estará José Sócrates politicamente debilitado ou, quiçá, morto? Resposta: estão a brincar? Claro que não. As generalizações e as declarações grandiloquentes não são a minha chávena de chá, mas desta vez não estarei muito longe da realidade «concreta» se disser que José Sócrates está no lugar certo, no país certo e com o povo certo. Bastava ter prestado alguma atenção ao Fórum da TSF de há duas semanas, logo após a publicação da primeira tranche de escutas, para perceber que esta coisa da «liberdade» e esta coisa da «autoridade» têm muito que se lhe diga. As intervenções estiveram a cargo do grupo dos indignados, envergando o slogan «Está à espera de quê para se demitir?», e do grupo dos relativistas, com o banner «Estavam à espera do quê tratando-se da bruxa Moura Guedes?». Será possível? É. A tradição da liberdade em Portugal é tão consistente quanto a defesa do meu, salvo seja, Sporting Clube de Portugal. Entre sofrer os excessos de um jornalismo tablóide ou circunstancialmente temerário, ou os defeitos da sociedade do «respeitinho» e do combate à maledicência sobre os veneráveis, o português não hesita: escolhe o mais cómodo dos caminhos. Daí a tão conveniente defesa dos formalismos sobre a substância («as escutas são ilegais, não se podem ler ou valorizar»). Para muita gente, Manuela Moura Guedes e quejandos, tiveram o correctivo que mereciam. As manobras de Sócrates, perante tamanha desfaçatez e insolência (registada e valorada pelo Dr. Marinho Pinto), estão totalmente justificadas. Compreendem-se, toleram-se, nalguns casos acarinham-se. Afinal de contas, os «outros», com quem intermitentemente trocam de lugar, são iguais. Além disso, é o chefe que está a ser atacado. Não se afronta quem nos põe o pão na boca. Liberdade? Falem com a Câncio que ela explica e ensina tudo o que têm que saber.

8 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Eu acho que o Carlos está no seu direito em achar normal que uma débil mental (penso ser pacífico este ponto, não?) apresente um Jornal Noticioso (repito: um Jornal Noticioso - não confundir com aqueles programas merdosos de Informação que a Fox News tem aos magotes) cuja agenda é, apenas, dizer mal do Primeiro-Ministro. Não venha é cá com histórias da carochinha de que o Sócrates é um bicho Papão e as Câncios deste mundo são as más da fita.
Ponham lá o Paulo Rangel, ponham - esse pelo menos não engana ninguém e começa logo a cornear os próprios colegas de partido antes sequer de ser candidato. Temos homem!

7:06 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

O problema é precisamente esse, caro Ricardo: é você não ver à distância de um palmo à frente da sua cara, o que deveria ser (isto sim) pacifico: é que numa sociedade democrática, livre, aberta, as Foxs e as Moura Guedes têm o direito de exercer o seu papel, independentemente de ser um papel que eu, você, o Zé Manel taxista ou o sr. primeiro-ministro não aprecia. E sabe porquê? Eu explico: porque mesmo essa gente que você apelida de débil mental contribui, à sua medida (mesmo que pouca) para o escrutínio público do exercício do poder. Mesmo não apreciando o estilo de Moura Guedes e os seus propósitos persecutórios, o Jornal Nacional de 6.ª feira deu-me a conhecer um país que é militantemente escondido pelos sucessivos governos da República: um país pobre, miserável, cheio de injustiças sociais e debilidades próprias de um país do terceiro-mundo. Repito: as sociedades abertas, livres, não são, nunca o serão, perfeitas. No cardápio das imperfeições, prefiro mil vezes a imperfeição trazida pelos excessos de imprensa ou de liberdade de expressão (de lado a lado), do que uma sociedade respeitosa, reverente, temerosa de manobras do bas-fond da parte de quem detém o Poder, em que os orgão de comunicação social estão a salvo de excessos, assim decretados pelo Poder.

7:38 da tarde  
Blogger Ricardo disse...

Ui... O Carlos não sabe a diferença entre um Jornal Noticioso e um Programa de Opinião. Já podia ter dito. Todo esse blá blá blá está, à partida, inquinado na sua (surpreendente, confesso) ignorância. Veja mas é o Daily Show em vez da porcaria reaccionária que, pelos vistos, tanto aprecia. E viva o insulto barato... Já vi que a débil mental fez escola!

7:55 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

Pelos vistos tanto aprecio? O Ricardo ou não sabe ler ou é desonesto. Escrevi, se bem me lembro, "mesmo não apreciando o estilo de Moura Guedes e os seus propósitos persecutórios". A questão não está em saber a diferença entre um Jornal Noticioso e um Programa de Opinião. Não vá por aí. Se for por aí, convinha que percebesse que o que não falta é jornalismo de opinião transvestido de «noticioso» (vide RTP). A Manela, ao menos, não enganava ninguém, meu caro. A questão está em saber se pode ou deve haver espaço para ambos: o noticioso e o opinativo. Quanto ao apelidar-me de débil mental, foi você que falou em insulto barato?

8:06 da tarde  
Blogger Ricardo disse...

Eu não o chamei débil mental. Parece que quem não sabe ler, afinal, é o Carlos. E os programas a que me referia eram os da Fox News.
Anyway, O Marinho Pinto está a falar na SIC. Silêncio, por favor.

8:15 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

Claro que era a Fox News. E o "Já vi que a débil mental fez escola?" era o quê? Marinho Pinto, então. Um santo homem.

8:19 da tarde  
Blogger Ricardo disse...

Fox News por oposição ao Daily Show, obviamente. E dizer que a débil mental fez escola no insulto barato é chamá-lo de débil mental? Eu fazia-lhe um desenho (ou dois, neste caso) mas o blogger não deixa...

8:28 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

É melhor um desenho, é. A língua portuguesa é muito traiçoeira.

8:42 da tarde  

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