O MacGuffin: Resta saber como

quinta-feira, setembro 17, 2009

Resta saber como

Segundo esta notícia, o PS prepara-se para ganhar as próximas eleições legislativas (e a confirmarem-se as projecções, a distância é suficientemente significativa para o PSD deixar de acalentar o que quer que seja). Em face deste cenário - que eu não gosto e estou convencido que o país vai pagar muito caro - estou muitíssimo curioso para ver se o BE se vai suicidar de imediato, coligando-se com o PS, ou se vai enveredar por vender sub-repticiamente a alma ao diabo, através da caução cirúrgica e regular das políticas outrora «direitistas» do PS. Seja como for, vai ser no mínimo hilariante assistir à forma como o BE vai lidar com o poder, perdendo a pouco e pouco a virginal inocência de outrora, através da renuncia acabrunhada das medidas mais radicais que propôs ao longo desta campanha. Até as chinchilas vão acabar esquecidas.


(na foto, uma chinchila: a primeira vitima)

10 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

portanto,a tua chatice reside sempre no BE.

9:04 da tarde  
Blogger MacGuffin disse...

A minha pequena chatice só reside no BE se o BE formar governo. De resto, a minha grande chatice reside no facto de se perspectivar mais quatro anos de governo PS. Deste PS. A ideia de voltarmos a dar quatro anos àquele gente (ao Santos Silva, ao Mário Lino, à Maria de Lurdes Rodrigues, ao Sr. Engenheiro e por aí fora) é pavorosa. O BE nunca me incomodou particularmente porque, até há pouco, as hipóteses deste partido poder influenciar ou integrar soluções governativas era quase nula. Pela sua natureza e 'modus operandi' sempre vi e continuarei a ver o BE como uma congregação de protestos e que, de quando em vez, lá vai dizendo umas coisas acertadas no meio de uma agenda meio insana, meio irresponsável. Agora não. O BE cresceu (era inevitável que crescesse tendo em conta o clima amargo e sombrio que se vive) e chegou a esta insondável posição: a de poder viabilizar, e nesse caso protagonizar, uma solução governativa. Tendo em conta a ideologia que lhe conhecemos - que é difusa mas ainda assim perigosa - e a maneira como fazem política (usando e abusando da demagogia e do tom persecutório, quais virgens moralistas), temo dias sombrios. Mas ainda assim, curiosos.

3:09 da manhã  
Blogger Margarida disse...

... que lição 'zen', este comentário tão sereno...!
Pois eu tenho sintomas pandémicos se tal ideia se aproxima.
Que país somos?
Que foi feito de trinta anos de duras lições?
Porque não se aprendeu mais e pensa melhor?
Como é que a esquerda tem cerca de 20% de eleitorado?!
Mas as pessoas não têm tudo (a informação toda) à disposição?
É uma nação inteira na sala de espera da consulta psiquiátrica (a 'ler' a "Caras" e a "Maria" e afins, só pode ser!!) .
Inaudito. E dramático.
Parece que gostamos do charco, do queixume, da pobreza de espírito, para melhor (teatralmente) se desempenhar o papel do miserável infeliz.
Depois resmunga-se que se emigra! Pudera!
Longe disto, longe e, preferencialmente, num belo sistema capitalista, que a realidade é sempre um sonho de taluda.
Que Karma!

9:06 da manhã  
Anonymous João Sousa disse...

Aguardo, por exemplo, a possível apresentação pelo PS do casamento entre homossexuais. Quero ver com que malabarismos de coluna vertebral o BE votará ao lado do partido que, ainda há um ano, rejeitou a mesmíssima proposta do Bloco.

10:18 da manhã  
Blogger LF disse...

Com minoria, e apoio parlamentar do BE, talvez as políticas do PS deixem de ser tão "direitistas".

Se isso é bom ou mau, depende da opinião de cada um.

11:12 da manhã  
Blogger MacGuffin disse...

Assim como depende da opinião de cada um atribuir o epíteto de «direitista» à política do PS. O PS foi tudo menos «direitista», já que insinuou ainda mais o peso do Estado sobre a sociedade (controlando, adoptando uma atitude paternalista e sugando a riqueza produzida) e insistiu na estupidificação dos portugueses. A política educativa, por exemplo, será daqui a uns anos lembrada, caso se faça justiça, como um dos mais tristes casos de manipulação dos jovens em idade escolar, contribuindo para o abaixamento criminoso do rigor e da exigência no ensino (factor que prejudica sobretudo as crianças de famílias mais pobres). Mas é claro que, no teu caso, «direitista» é anátema. Ainda assim, convirás que no caso se Sócrates, nem «direitista» nem «esquerdita»: pouco mais que cosmética.

3:38 da tarde  
Blogger LF disse...

Margarida,

E isso acontece com a comunicação social toda nas mãos de grandes grupos empresariais, defendendo os seus interesses (à excepção da RTP que defende os do governo), com comentadores televisivos pseudo-independentes (os chamados "economistas", que não são mais que os administradores do poder económico) a debitarem a sua doutrina neo-liberal (perdoa a expressão, mas não encontro outra tão ajustada) na SIC Noticias, RTPN e Prós e Contra, com jornais como o Jornal de Negócios, Diário Económico ou Sol (com uma imparcialidade de fazer inveja à Manuela M.Guedes), com a juventude intoxicada pelos circuitos de distribuição mediática anglo-saxónicos, etc, etc.

Agora imagina que o povo, designadamente os mais desfavorecidos, sabiam mesmo o que era melhor para eles.
Imagina que toda a população tinha lido Steinbeck, Saramago, Gorky e também Chomsky, Ramonet, Adorno, Marcuse.
Que todos sabiam que juntos podiam escrever uma outra História. Uma História sem vencedores nem vencidos, onde as desigualdades não se tornassem aditivas.

Quanto teria então a esquerda?
60% ? 70%?

3:47 da tarde  
Blogger LF disse...

Tu é que falaste em "direitismo".
Apenas utilizei a tua palavra.

Esquerdista também foi muito pouco, pelo que até concordo com a tua última frase.

Quanto à política educativa assino por baixo.

Mas nos primeiros anos de governo, certas "reformas" levadas a cabo podiam ter sido retiradas da agenda do PSD. Casos do aumento da idade de reforma (que até aceito como indispensável), do fecho de serviços de saúde, do código do trabalho, do quadro de disponíveis, etc etc Sem falar na perseguição aos sindicatos.

Com minoria e apoio parlamentar do Bloco, este tipo de reformas nunca seria concretizado.

3:55 da tarde  
Blogger Margarida disse...

LF, já sei que sou 'ingénua', mas essa visão é sobejamente amarga e glacial, não é?
Já o fim do proposto pensamento me parece um terno manifesto espiritual - cristão, quem sabe.
Ideal, sim..., o princípio de que Cristo foi o primeiro 'comunista'.
O ser humano foi a criação desviante dos deuses.
Somos... irrecuperáveis; egoistas, gananciosos, sobranceiros e fracos.
O-meu-ideal-é-melhor-do-que-o-teu aplica-se a tudo.
Espero que a esquerda recue nestas eleições.
Aguardemos.
(e vamos lendo o que sugeriu, entretanto. E depois.)
Cordialmente,
:)

4:17 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Acho que não vinha mal ao mundo que a chamada 'direita' portuguesa, em vez de imaginar cenários de apocalipse com a subida considerável do Bloco, tentasse compreender/explicar como é que, passados quatro anos e meio de Sócrates, PSD e PP não conseguem subir consideravelmente. Ao contrário, parece ser a 'esquerda' mais 'esquerda' (Bloco e PCP), que se apresta a subir e a ter uma votação na casa dos 20 pontos percentuais. O PSD, a fazer fé nas sondagens, e depois do desastre irrepetível de Santana Lopes (28 ou 29 por cento?) sobe para os 32. É manifestamente uma subida curta. E o PP mantém os sete, mais ponto menos ponto percentual. Isto, repito, a fazer fé nas sondagens. Convenhamos, se a 'direita' queria destronar quem por lá está, alguma coisa não terá feito bem até à data.

João Moura

4:41 da tarde  

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