O MacGuffin: Nojo

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Nojo

Enoja-me o comunicado do governo, em que se «lamenta» e «discorda» da publicação dos cartoons sobre o profeta Maomé. Enoja-me a posição do Prof. Freitas, do Eng. Sócrates e do Dr. Sampaio. Sobretudo a do Prof. Freitas, que nem uma palavra proferiu sobre a desproporção e a total iniquidade da reacção da «rua árabe» - perdendo esta, desde logo, qualquer pingo de razão - contra cidadãos e interesses dinamarqueses, franceses, etc. (ou seja, todos os que, horror dos horrores, cometeram o «crime» de publicar uns cartoons). Nenhum governo se devia imiscuir em assuntos desta natureza. Nenhum governo devia ceder a pressões de supostos «ofendidos» relativamente a putativos delitos de opinião. Neste caso, a única resposta que qualquer governo a ocidente deveria dar seria a de rejeitar qualquer tipo de retractação, deixando bem claro que a publicação daquelas peças são da exclusiva responsabilidade de quem as publicou e que o assunto cabe inteira e objectivamente no âmbito da chamada «liberdade de expressão». Ou seja, que as coisas aqui, neste cantinho, funcionam assim e vão continuar a funcionar assim. Não foi o governo de um país que publicou os cartoons. Não foi a «Dinamarca» que, através de cartoons, exprimiu uma posição «oficial». Tudo o resto – as comiserações cobardes, as lamentações hipócritas, o relativismo e a pusilanimidade – perante a reacção absurda, irracional e ridícula da chamada «rua árabe», é mais um sinal de que, a ocidente, governos, responsáveis e uma certa opinião pública insistem em prostrar-se face a certos comportamentos reactivos que mais não são do que as «idiossincrasias» de um fanatismo que diária e cronicamente pontapeia os mais elementares valores e direitos humanos. E sim, é (infelizmente) verdade: existe uma relação entre um islamismo militante e o terrorismo.

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