O MacGuffin

sexta-feira, julho 04, 2003

AINDA O 160º ANIVERSÁRIO DA “THE ECONOMIST”

“The truth about market liberalisation and economic growth is not that it increases inequality, nor that it hurts the poor: just the opposite. Rather, the truth is that some large parts of the poor world are pulling themselves out of poverty while others are not. Those poorer parts include some countries in Asia, inclunding Pakistan and Central Asia, and some in Latin America as well as most of the Middle East, where liberalisation has scarcely been attempted and revenues from oil have lately declined. Most notably, though, they include, more or less, a whole continent, namely Africa. There, incomes have stagnated or even declined, and life expectations are falling too, thanks to AIDS and other plagues. Home to 13% of the world’s population, the continent accounts for merely 3% of world GDP. The lack of progress in Africa, not the supposed evils of globalisation, is where the most difficult problem of economic development lies.”

Há anos que a revista The Economist vem tentado provar e demonstrar, até à exaustão, aquilo que está resumido nesta breve passagem. Através de estudos sérios, criteriosamente formulados e levados a cabo por gente competente, com base em dados concretos e levando em linha de conta as mais diversas variáveis e as dificuldades inerentes às mais complexas aferições, a broader picture está aí, para quem a quiser ver: o mundo caminha, de há pelo menos cinquenta anos a esta parte, para uma maior equidade na distribuição do rendimento e da riqueza; para formas de crescimento integrado entre países de diferentes dimensões económicas que abraçaram o modelo liberal associado à democracia; para a diminuição percentual do número de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza; para um aumento significativo da chamada classe média, aplicada a cada realidade. E o que nos dizem os anti-capitalistas, os movimentos anti-globalização, o Sr. Saramgo, o Sr. Sousa Santos e o Sr. Prado Coelho? Que caminhamos para o fosso. Para o doomsday. Para o inferno.

Bem que podiam dizer: “o Inferno somos nós”. A que eu acrescentaria: e todos aqueles que, como eles, são incapazes de descer à terra, recolher a soberba e parar para perceber que existe um mundo diferente do imaginado. Um mundo real, palpável, bem mais complexo e difuso. Um mundo que importa conhecer e aperfeiçoar, desassombradamente, sem a demagogia dos ideais inexequíveis (vazios porque sem qualquer sentido e aplicação prática).

Hoje em dia já deveria ser perfeitamente claro para todos - à esquerda, à direita, em cima ou em baixo - que mudanças drásticas não existem e que quaisquer tentativas nesse sentido produzem efeitos colaterais nefastos. Perceber isso não é defender “mais do mesmo”, nem admitir que o actual estado civilizacional é imutável. É perceber que este caminho poderá ser, e tudo indica que sim, o único possível. É perceber que existem instrumentos e políticas cujo efeito tem sido benéfico, no médio e longo prazo. E é perceber que o que temos de fazer é aperfeiçoar cuidadosamente o modelo actual de desenvolvimento. Incentivá-lo, acarinhá-o, compreendê-lo. Nunca amordaçá-lo, invertê-lo, subvertê-lo. Em termos macroeconómicos, a globalização económica, aliada ao liberalismo e à democracia, resulta. Não perceber isto é não perceber nada.

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