O MacGuffin: E assim é

sábado, maio 14, 2011

E assim é


José Sócrates pode ter feito a mais vergonhosa declaração ao país dos últimos anos (quando anunciou o acordo com a troika); pode deturpar o que está escrito no programa do PSD (de uma forma inaceitável para quem se propõe debater «com elevação»); pode insistir em argumentos mais vazios do que o bolso de um pedinte («eu fiz o meu melhor», «eu dei o meu melhor»); pode fazer truques de malabarismo com as palavras por ele proferidas («eu nunca disse que não governaria com o FMI»); pode continuar a prometer que vai fazer o contrário do que está acordado no memorando; pode fingir que não acordou com a troika uma assinalável redução da TSU e um vasto programa de privatizações («radicais» são os outros); pode insistir na história de que a bancarrota chegou do estrangeiro, numa terrível noite de inverno, a convite e com o beneplácito da oposição, ou que o endividamento é coisa dos últimos dois anos (também por culpa da «crise internacional») ou, ainda, que as correcções ao défice se ficaram a dever a alterações «metodológicas» de última hora e nunca às PPP e a outras manobras de desorçamentação; pode fazer de conta que não esteve no governo do país nos últimos seis anos; pode bancar o sonso que não conhece os artigos do FT; pode fingir que o despedimento de funcionários públicos por não pertencerem ao PS, ou de jornalistas por não obedecerem às ordens do governo, não é nada com ele; pode insultar a inteligência alheia quando afirma, agora, depois de em 2009 ter dito «o orçamento de Estado de 2009 é para ajudar as familías e as empresas, que «o desemprego é o preço a pagar pela consolidação orçamental». Pode fazer tudo isto e o mais que lhe aprouver. Ninguém investiga, põe em causa, confronta, desmonta. O que interessa é o «pintelho», é a comparação com Hitler (mesmo que restrita ao poder encantatório das massas), é o suposto «ziguezaguear» da oposição e, claro, as «pastas vazias». Quando o PSD fala, uma bateria de críticos ligados ao aparelho e ao partido do governo (nalguns casos em pose raivosa), aliada a uma fornada de «especialistas» a convite dos órgãos de comunicação social (com a TSF e a RTP à cabeça), enxameiam o éter para desmontar a «falta de experiência» do líder da oposição e as propostas «irrealistas» do mesmo. O passado, mesmo o recente, é um país estrangeiro. E do estrangeiro só queremos dinheiro. Não conversa chata. Que tudo fique na mesma, por favor. Não é tempo de mudança.


1 Comentários:

Blogger josé disse...

O jornalismo nunca teve em Portugal qualquer influencia em nada e quando teve, ex. caso Casa Pia imediatamente arrepiou caminho no mau sentido, não tem tradição de rigor e de critica fundamentada do poder, mas do seguidismo e carreirismo, muito menos agora,quem se mete com o PS leva, como a outra que foi despedida da Lusa mas de que pouco se fala.

10:50 da tarde  

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