O MacGuffin: HÁ DIAS QUE ANDO PARA DIZER ISTO

quinta-feira, dezembro 02, 2004

HÁ DIAS QUE ANDO PARA DIZER ISTO

Foi insidiosa e injusta a forma como se «bateu» no Pedro Mexia (a propósito do seu artigo sobre o CDS), tentando, de passagem, colá-lo à Esquerda. O Pedro Mexia pode ter pecado, aqui e acolá, por falta de objectividade, na sua crítica ao PP de Paulo Portas (embora, em traços gerais, concorde com ele), mas houve quem pecasse por excesso de encanitamento, como se Pedro Mexia tivesse críticado, ou se tivesse demarcado, da Direita.

Seria conveniente deixar bem claro que existe hoje, como existe desde há séculos, uma dicotomia que, a partir da Revolução Francesa), se achou por bem designar de esquerda vs. direita. Apesar de ciclicamente se anunciar a sua morte, ela subsiste de forma bem clara, e perdurará por muito mais tempo. É facilmente identificável nos mais diversos assuntos: da educação à economia, da organização do trabalho à política externa, da cultura à concepção da natureza humana. Mas importa perceber que, dentro de cada campo, há diferenças. Ou seja, não existe uma direita e uma esquerda. Lembro o que escreveu, em tempos, Maria Filomena Mónica:

“...É, de facto, no plural [esquerdas e direitas] que estas palavras se têm de usar, uma vez que, no interior de ambas, há várias subdivisões, a mais importante das quais relacionada com a atitude em relação ao Estado...”

Direitas há muitas. Há, por exemplo, uma direita autoritária e uma direita liberal, assim como há uma esquerda autoritária e uma esquerda liberal. Mais: do lado da Direita, o liberalismo “clássico” (historicamente identificável, por exemplo, em Inglaterra) alguma vez assentou arraiais por terras lusas? Fez escola? Produziram-se obras em torno do mesmo? Deixou marcas no modus operandi de governos e governados? Não. E os princípios políticos do conservadorismo, algumas vezes se vislumbraram no espectro político-partidário português? Também não, apesar de se pensar, erradamente, que Salazar e o seu Estado Novo eram uma produção «conservadora».

O CDS de hoje, tal como o de ontem, não é o magno representante da Direita. Insinuar que alguém possa não ser de Direita por ter criticado Portas - independentemente do estilo e da argumentação utilizada - não lembra ao diabo. "Ah!, mas ele assim faz o jogo da esquerda!" Não faz nada. Pensem nisto: estas discussões não serão a prova da vantagem da Direita sobre a Esquerda?

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