O MacGuffin: Boas Festas e um queijinho da serra

terça-feira, dezembro 21, 2004

Boas Festas e um queijinho da serra

(corrigido)
Caros leitores, amigos, colegas e afins,

Desejando a todos um santo Natal (recheado de colesterol e catalisadores de triglicéridos) e um próspero ano novo (2005, não é? O tempo voa... até parece que foi ontem que Santana Lopes chegou à cadeira do poder), aproveito a ocasião para, em jeito de balanço, agradecer, penhorado, a atenção e a paciência doadas a este blogue durante o estranho ano de 2004. Agradeço, também, a todos os blogues que lincaram o Contra a Corrente e a todos os bloggers e leitores que mantiveram acesa a chama da reciprocidade, no que respeita ao debate de ideias.

Pode sempre dizer-se que esta coisa dos blogues não passa de ardor egocêntrico - transitório, inconstante, acessório - que em pouco ou nada influi na vida de quem os faz. Acontece que, no meu caso, com o passar do tempo, o trabalho de manter um blogue começa a embater, amiúde, e por vezes de forma violenta, com a vida tal qual ela é. Ou seja, com a nobre e real 'vidinha'. Para usar uma expressão que é muito querida à Charlotte, o contínuo gettingalife em que estamos irremediavelmente metidos, leva-nos, mais tarde ou mais cedo, a enveredar por essa coisa chata e quadrada, embora incontornável, da «reavaliação de prioridades» - em nome, claro está, do bom comportamento e das benditas «responsabilidades».

Tempus fugit, já dizia Virgílio. Acrescente-se ao exposto o óbvio mais que ululante: a quantidade de livros que estão por ler, ou terminar; as revistas que gritam para ser lidas; as viagens adiadas vezes sem conta; a atenção a dar aos que a merecem; a solidariedade para com Jerónimo de Sousa. Tudo parece concorrer - como se de um insidioso plano se tratasse - para a formação de uma bizarra sensação de desconforto, própria de quem parece estar a ser observado, de dentro, mais pelo que não faz, ou está a deixar de fazer, do que pelo que faz. Um pequeníssimo mas ainda assim irritantemente perceptível sussurro do tipo “cut the fucking crap and do the right thing, dude!”. Ah, grandioso Lebowski, o quanto te invejo!

Vem isto a propósito do quê? Ah, já sei: de «reconsiderações». É tempo de reconsiderar se vale a pena continuar a expor publica e diariamente as nossas ideias, sensibilidades e opiniões sobre a espuma dos dias, fingindo que meio mundo está interessado em saber a nossa opinião sobre o Eng. Sócrates (é melhor não…), o Michael Bublé (um pastiche de não sei quem) ou o último filme do Terry Zwigoff (ainda não vi e é muito bom) - exposição esta, por sua vez, manhosa e caoticamente entremeada por entre relatórios, livros, reuniões, mapas de gestão, análises de sensibildiade, as solicitações da filhota, os anseios da namorada e os DVD's do Seinfeld.

Não sei, por isso, se voltarei a este espaço no próximo ano. Não sei se voltarei a escrever ou se o deixarei de fazer. Caso abandone a escrita – essa inebriante, ébria e infame actividade solitária - não sei se as saudades serão suficientemente fortes para voltar a debitar caracteres no personal computer e pressionar esse botão mágico que dá pelo nome de "Publish Post". Como diria Guterres: só fazendo as contas.

Portantos, pá, nada sei a não ser isto: vou parar. Por um momento. Se tudo correr de feição, voltarei. Ou talvez não.

Até para o ano. Se Deus quiser.

Next Year, Baby
(Jamie Cullum)

Next Year,
Things are gonna change,
Gonna drink less beer
And start all over again
Gonna read more books
Gonna keep up with the news
Gonna learn how to cook
And spend less money on shoes
Pay my bills on time
File my mail away, everyday
Only drink the finest wine
And call my Gran every Sunday
Resolutions
Well Baby they come and go
Will I do any of these things?
The answers probably no
But if there’s one thing, I must do,
Despite my greatest fears
I’m gonna say to you
How I’ve felt all of these years
Next Year, Next Year, Next Year

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