O MacGuffin

terça-feira, julho 29, 2003

LEVAR MUITO A SÉRIO
Entretanto, o Dr. Ferro Rodrigues voltou à ribalta, com a tese da cabala. Desta vez, falou em “forças não eleitas” que pretendem “decapitar” a direcção do PS. Falou ainda de uma "direita" que o pretende "caluniar". Como no passado, pouco mais adiantou.
Pacheco Pereira defendeu, em artigo de opinião no Público, que as declarações do Dr. Ferro Rodrigues são para levar a sério. Mais: Pacheco Pereira, levando em consideração o insofismável (?) facto de o Dr. Ferro Rodrigues ser um político “sério” e “responsável”, lança o repto exigindo que o mesmo «esclareça» e «aprofunde» as suas declarações.
Já Constança Cunha e Sá, na sua regressada crónica no Indy, afirma que as declarações do Dr. Ferro Rodrigues não são para levar a sério. Que são um role de diatribes inconsequentes, quiçá próprias da ‘estação parvinha’.
Compreendo a Constança. E compreendo o Pacheco Pereira. Mas eu vejo a questão desta forma: as declarações do Dr. Ferro Rodrigues são para levar a sério na exacta medida em que confirmam, à saciedade, a inépcia e falta de estatura política de um homem que, algures no tempo, tentou vender ao país a imagem de homem de estado, sereno, justo e, atenção, “sério”. O problema é simples: o Dr. Ferro Rodrigues resvala com uma facilidade estonteante para os terrenos apertados da demagogia, da arrogância e do desespero teatral. Last time I checked, responsável não é certamente e um homem de estado não bate assim.
O PS e o Dr. Ferro Rodrigues podem tentar vender a imagem que acharem por bem vender, mas uma coisa é claríssima: o comportamento do secretário geral do segundo maior partido português tem sido dramaticamente patético. Já enjoa (ia escrever “enoja”) a forma absolutamente ridícula como a direcção do PS continua entretida a apanhar papéis e a fazer questão de enfiar uma carapuça por si mesma confeccionada. De quando em vez, tentam serenar os ânimos, dando uma de mão de verniz e exibindo um mínimo de brandura, para, logo a seguir, tudo voltar à estaca zero. São como aqueles putos a quem se lhes coloca brilhantina para segurar o arrepio, sabendo-se de antemão que o efeito será provisório. A atitude de contenção forçada do Dr. Ferro Rodrigues tem a mesma credibilidade que os efeitos especiais de um filme do Ed Wood. Daí que se tenha de levar a sério a 'performance' porque ‘aquilo’ é mesmo assim.
Nesta altura do campeonato, as perguntas que importava fazer à direcção do Partido Socialista Português, e ao seu enigmático líder, eram estas: havia necessidade de tanto zunzum, de tanta histeria, de tanta indignação? Por muito que doesse ver um dos seus ‘filhos pródigos’ envolvido num caso de justiça com direito a prisão preventiva, numa questão sórdida e repugnante como é a pedófilia, havia necessidade de achincalhar a Justiça portuguesa, questionar os procedimentos penais que eles próprios ajudaram a criar (como se, só agora, tudo estivesse em causa), acenar com fantasmas de forças obscuras de direita, de cabalas e de inimigos difusos?
Valerá a pena formulá-las? Claro que não. Enquanto o seu líder continuar a espernear intermitentemente com o ar mais lixado do mundo, nada mais será escutado no Largo do Rato.
Diz o Dr. Ferro Rodrigues que “as pessoas não são estúpidas”. Pois não. Aí, estou de acordo com ele.

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