O MacGuffin: Julho 2011

sexta-feira, julho 22, 2011

quarta-feira, julho 20, 2011

Go f**k yourself, Mr Morgan




PS: Em resposta aos comentários a este post:
1. Não gosto de jornalistas-estrela;
2. Não gosto de jornalistas-estrela pedantes e enfatuados;
3. Não gosto de jornalistas-estrela pedantes e enfatuados que fizeram carreira em órgãos de comunicação de qualidade mais que duvidosa, onde era hábito, está-se agora a constatar, violar de forma sistemática a privacidade de milhares de pessoas, anos a fio;
4. Não gosto de jornalistas-estrela, pedantes e enfatuados, que quais virgens ofendidas nos tentam agora convencer, depois de terem trabalhado e dirigido, anos a fio, órgãos de comunicação que violaram de forma sistemática a privacidade de milhares de pessoas, que estão acima de qualquer suspeita e/ou que nada sabiam;
5. Não gosto de jorntalistas-estrela, pedantes e enfatuados, que julgam arrogar-se no direito, pelo poder que têm e o dinheiro de que dispõem, de defender os seus argumentos de forma arrogante e em modo «peixerada»;
6. A Louise Menschen é gira e eu não gosto do Piers Morgan;
7. E sim: a imunidade parlamentar existe para casos como este.

PPS:
"Three points:


1. Morgan revealed in his book that he had knowledge of the phone hacking "trick" long before this issue became a news story.
2. The "scoop" Louise Mensch was referring to involved Ulrika Jonsson and Sven-Goran Erikson
3. Two weeks ago, Lib-Dem MP, Adrian Sanders, claimed: "The Daily Mirror, when under the auspices of Piers Morgan, is suspected of using voicemail interception to reveal Sven-Goran Eriksson’s affair with Ulrika Jonsson."
So she was right to raise this matter."

terça-feira, julho 19, 2011

À lá Obama

Proposta de discurso conducente à auto-estima e à separação das águas:

“Portugal não é o Burundi! Portugal não é a Eritreia!”

domingo, julho 17, 2011

More of a...

...well respected but, dare I say, pointless complaint, dear Lucy. I'm sure they hadn't the faintest idea of what you were talking about... sckriitch shckritccch chrmmmhc sckritch...

"That was a long pause"

sexta-feira, julho 15, 2011

Next stop: Paris?

Consta que o Sr. Carlos Reis - perdão, o Sr. Prof. Dr. Carlos Reis (o respeitinho é muito bonito) - abandonou o cargo de reitor da Universidade Aberta, que cumpria com grande motivação e (quase) exclusiva dedicação. Inteligente como é, homem do mundo e arredores, duas hipóteses se podem, desde já, aventar: 1) novo tacho em território nacional, já previamente (leia-se «no ancien régime do senhor engenheiro») alinhavado; 2) estudos em Paris, na companhia de um, digamos, amigo. Seja lá o que for, boa sorte ao Sr. Prof. Dr. Carlos Reis (ou como diria o Dr. Almeida Santos, «um professor doutor de Coimbra, meu Deus!»).


PS: Voz amiga alertou-me, ao telefone, para a natureza «excessiva» deste post. Ao que tudo parece indicar, o dito encerra «veneno» e «maledicência» gratuita. Expliquei-me. Disse-lhe que detesto esta espécie de príncipe da academia lusa há muitos, muito anos. O dito ódio teve origem num programa televisivo moderado por António Santos (circa 1990), sobre o acordo ortográfico (ao qual fiz referência aqui), onde «conheci» o Prof. Carlos Reis mais a sua arrogância e vaidade. Acentuou-se com as presenças avulsas do dito professor na televisão, onde defendeu sempre o contrário do que eu defendia (até aí nada de mal), mas fazendo-o sempre como quem estava oficialmente a representar a Razão contra a imbecilidade dos ignaros que dele discordavam. E culminou com os episódios envolvendo Maria Filomena Mónica, quando esta se «atreveu» a penetrar na coutada queirosiana do Prof. Reis. É, pois, ódio antigo. De estimação. Defeito meu.

quinta-feira, julho 14, 2011

Falta de vergonha

Grande (cof, cof) momento televisivo, anteontem, na RTP-N: frente-a-frente entre Carlos Zorrinho (PS) e Carlos Abreu Amorim (PSD). Carlos Zorrinho foi um devoto de Sócrates. E contínua a ser, com visíveis efeitos televisivos. Há dias, observei, também na RTP-N, Manuel Pizarro. O mesmo fenómeno: mimetismo. A encantadora e encantatória tutela do senhor engenheiro produziu os seus efeitos ao nível do cerebelo dos indefectíveis: os tiques e truques retóricos sobreviveram ao criador, pontuando agora, de forma mais ou menos voluntária, a linguagem corporal e o tom da voz dos herdeiros. Há, é verdade, elementos originais, ausentes no grande líder. Carlos Zorrinho, por exemplo, ao contrário do senhor engenheiro, pratica a técnica do «falar por cima», não permitindo que o oponente conclua uma frase ou um raciocínio sem a voz-buzina do outro lado. Está na moda. Dizem que é sinal de «vivacidade» no debate. No plano das ideias, Carlos Zorrinho mantém uma inabalável fé na piedosa devoção ao santinho JS que domina o seu altar íntimo, associando-se sem pudor ou modéstia à crescente horda de socialistas que deram por concluído o período de nojo a que o obsceno peso das circunstâncias e dos factos políticos e económicos os havia relegado. A fase hibernal acabou e, com ela, alguma aura de respeitabilidade e sanidade política proporcionada pelo recolhimento e pela introspecção. «Pronto, já passou», pensaram. É com estrondosa lata que peroram agora, que nem lúcidos e frescos, sobre os males da pátria, assacando já responsabilidades a um governo que nem um mês cumpriu e que, neste curto período, tenta ainda perceber o tamanho do buraco encontrado (e tantas vezes tapado).

Recentremos o debate. Ou, para ser básico, deixemo-nos de merdas. O Partido Socialista e o seu governo deixaram o país de quatro, com um acordo assinado cujo incumprimento pode resultar numa interrupção da ajuda financeira. Traduzindo: a bancarrota. Perante este cenário, o fantástico Carlos Zorrinho entende que o caminho passa por retomar a retórica da «confiança», da «tecnologia», das «energias renováveis», da «inovação», etc. etc., afirmando, pelo caminho, com o ar mais sério do mundo, que a medida do corte parcial do subsídio de Natal «não se justifica» e só vai «agravar a situação».

Como o criador, Carlos Zorrinho contínua a viver noutro mundo. Ainda não percebeu, nem provavelmente perceberá, onde estamos metidos, e em que estado se encontra a execução orçamental. Se percebeu, revelou tão só uma coisa: falta de vergonha na cara.

sábado, julho 09, 2011

The future is so bright, I gotta wear shades

As reacções (saloias) à decisão da Moody’s de baixar o rating da República Portuguesa para o nível «lixo», dizem quase tudo sobre a Europa que temos. E o quase não tardou: a ideia de criar uma agência de notação financeira europeia. Para contrariar as «amaricanas».

Os mais velhos costumavam ensinar aos mais novos uma regra básica: «ninguém é bom juiz em causa própria». Agora, outros interesses (superiores) se levantam. O bom senso só atrapalha. Perante a «ameaça americana» (novamente os EUA no papel de Satã), a iniciativa de criar uma agência «nossa», que ateste a espectacularidade da Europa, só pode dar certo. Soa, desde logo, a credibilidade. Reflecte, logo a seguir, imparcialidade. E termina, em grande estilo, apostada em provar que «números são números»: há sempre formas diferentes de os observar. Um país estupidamente endividado? Que nada: é o efeito «alavancagem» em curso. Um défice excessivo? Que importa: as medidas de «correcção» já foram anunciadas e toda a gente sabe, ou devia saber (à excepção dos pérfidos americanos), que qualquer «anúncio» encerra em si mesmo a eficácia e o sucesso do seu objecto. A crise dos países periféricos? Está tudo sob controlo: dentro em breve vão passar a produzir muito (na agricultura, nas pescas e na industria) e a exportar à maluca, porque já se «anunciou» que assim vai ser. A falta de coesão entre os 27? Meu Deus: desde quando a «diversidade» não é uma coisa boa, a promover?

Se a Europa (ainda) não morreu, anda em definitivo a tratar do assunto.

quinta-feira, julho 07, 2011

Nada lhe faltará

Nada me faltará


Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.


Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.


Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.


Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.


Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.


Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.


Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.


Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.


A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.


Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.


Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.


Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.


Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Maria José Nogueira Pinto

quarta-feira, julho 06, 2011

Morreu uma grande senhora

Maria José Nogueira Pinto (1952 - 2011)


Os meus pêsames à família.

"Inside I'm a model"

domingo, julho 03, 2011

Peter

Primeiras impressões do casamento real monegasco

1. O Sr. Alberto não morre de amores pela Sra. D.ª Charlene;

2.

Sem ofensa, Daniel, Clara, Joana, etc.

O país e os seus mais frenéticos escrutinadores – de Daniel Oliveira a Clara Ferreira Alves, passando por Joana Amaral Dias e João Galamba – passaram duas semanas das suas mediáticas existências em delírio no recreio do comentário político, dando a conhecer ao povo as intricadas mas, sobretudo, espectaculares elucubrações sobre o carácter e a natureza políticas dos «membros» do novo governo. No fundo, mas desta vez também à superfície, os excelentíssimos comentadores tentaram prever o que para aí vem com base em sensações, palpites, fezadas e suposições a maior parte das vezes embebidas de preconceito e cretinice a pontapé. Em bom rigor, peroraram do vazio sobre o nada. Mas, há que reconhecer: aceite o repto, fizeram-no com, digamos, «paixão».

A taça vai inteirinha para Daniel Oliveira: para ele, este governo está condenado porque a maioria dos «membros» do executivo «não tem experiência governativa e política». No Eixo do Mal, um freirático e circunspecto Daniel, chegou mesmo a gritar, irritado com Rui Ramos (que de forma descontraída e divertida lá ai desmascarando a vacuidade argumentativa do parceiro de debate), que só com muitos anos (!), décadas até (!), se adquire «experiência política», condição sine qua non para o exercício de cargos executivos de natureza política. Isto, caros leitores, saiu da boca de alguém com 42 anos, de quem não se conhece percurso político «executivo» (para além de cargos no «aparelho»), membro de um partido pejado de contribuições de «jovens políticos».

O pateta e patético chinfrim opinativo a que assistimos, sobre um governo que nem sequer tinha tomado posse e sobre pessoas que nem um decreto ainda tinham assinado, remeteu-me para Nelson Rodrigues:

“E, de repente, tudo muda. Os idiotas perderam a modéstia, a humildade de vários milénios. Eles estão por toda a parte. São os que mais berram. (…) Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.”

A sério: tenham calma. Não se tomem, nem nos tomem, por idiotas.

Uma ninharia, dizem

(ou «A TSU explicada às criancinhas»)

A Taxa Social Única (TSU) é um instrumento fiscal usado para dar cumprimento à obrigação contributiva a cargo das entidades empregadoras e dos trabalhadores, destinada ao financiamento do sistema previdencial que tem por base uma relação sinalagmática directa entre a obrigação legal de contribuir e o direito a um conjunto diverso de prestações sociais (reforma, desemprego, doença, parentalidade, invalidez, morte, etc.).

A taxa contributiva global do regime geral (falemos só deste), é, actualmente, de 34,75%, cabendo 23,75% à entidade empregadora (contribuições) e 11% ao trabalhador (quotizações). Significa isto que, na folha salarial mensal do trabalhador, às diversas remunerações que constituem a base da incidência contributiva (remuneração base; comissões, bónus ou prémios; remuneração por trabalho nocturno ou suplementar; subsídios de férias e de Natal; subsídio de refeição na parte que exceda o montante de 6,41€/dia; etc.) é retirado 11% para o sistema previdencial.

À entidade empregadora, vulgo «empresa», cabe entregar ao Estado o montante correspondente à aplicação de 23,75% sobre a referida base de incidência.

A taxa contributiva global do regime geral está desagregada por cada eventualidade que integra o regime dos trabalhadores por conta de outrem, ou seja, por cada categoria «assistencialista» a que o sistema previdencial está obrigado a dar resposta quando tal se justifica:

Doença: 1,41%
Doença Profissional: 0,50%
Parentalidade: 0,76%
Desemprego: 5,14%
Invalidez: 4,29%
Velhice: 20,21%
Morte: 2,44%

Tudo somado: 34,75%.

A um trabalhador que tenha uma remuneração base mensal de 1.000,00€ (vamos partir do princípio de que não há remunerações de outra natureza nesse mês), é descontado (para além da retenção em sede de IRS), 11% a título de quotização para a Segurança Social (ou seja, 110,00€). Por outro lado, a empresa é obrigada a entregar não apenas o valor dessa retenção (os referidos 11%, ou 110,00€ no exemplo), como também a contribuição que lhe coube em sorte: 23,75% sobre a base de incidência total (no exemplo, 1.000,00€ x 23,75% = 237,50€). Até ao dia 20 do mês seguinte ao do recibo de ordenado, a empresa terá de entregar ao Estado, relativamente a esse trabalhador, 110,00€ + 237,50€ = 347,50€.

Indo um pouco mais além no exemplo, partindo do pressuposto de que o trabalhador aufere um subsídio de refeição por dia trabalhado de 6,41€, e que nesse mês trabalhou 21 dias, eis o exemplo de uma folha de remuneração:

Remuneração Base: 1.000,00€
Subsídio de Refeição: 134,61€ (6,41€ x 21 dias)
Retenção IRS: 90,00€ (9% - tabela I “Não casado, sem dependentes”, por exemplo)
Retenção Seg. Social: 110,00€
Valor Líquido (a receber): 934,61€

Qual o custo nominal desse trabalhador, neste mês em particular, para a empresa? Simples:
1.000,00€ + 134,61€ + 237,50€ = 1.372,11€

A diferença entre o custo para a empresa e o valor líquido que o trabalhador vai receber (1.372,11€ - 934,61€ = 437,50€), corresponde à soma de impostos que o Estado irá arrecadar nesse mês, envolvendo esta relação laboral: 110,00€ + 237,50€ + 90,00€ = 437,50€.

O custo para a empresa acima referido não leva, contudo, em conta o efeito dos subsídios de férias e de Natal. Contando com esse efeito, e tendo por base uma média anual de 228 dias úteis trabalhados, o custo médio mensal efectivo de um trabalhador com uma remuneração base de 1.000,00€, com um subsídio de refeição de 6,41€/dia e sem mais nenhum tipo de remuneração, é de:

[[(1.000,00 x 14) x 1,2375] + (228 x 6,41)]/12 = (17.325,00 + 1.641,48)/12 = 1.580,54€

À empresa, esse trabalhador custa não 1.000,00€, mas 1.580,54€.

Muito se tem falado sobre o efeito de um «desconto» na percentagem da contribuição da entidade empregadora (23,75%). Tomemos como exemplo uma empresa com 30 trabalhadores com ordenados médios na ordem dos 1.000,00€/mês, prestes a beneficiar de uma redução de 10 p.p. (13,75% em vez de 23,75%) na contribuição para a Segurança Social:

Total dos encargos anuais a 23,75%: 99.750,00€

Total dos encargos anuais a 13,75%: 57.750,00€

Diferença (a menos): 42.000,00€/ano, 3.500,00€/mês

Neste exemplo, é verdade que uma redução em 10 p.p., apesar de o permitir/suportar, poderá não dar lugar à contratação de mais dois trabalhadores (da mesma forma que «pode não dar lugar» não significa «não vai dar lugar sob circunstância alguma»). Mas perante a actual conjuntura, só um mentecapto (e perdoem-me os mentecaptos, classe a que não raras vezes pertenço) pode afirmar ou defender que este tipo de efeito «não tem significado» ou é «residual». Imaginemos uma empresa com 100 trabalhadores: podemos estar perante uma redução de custos na ordem dos 140.000,00€/ano (mantendo os pressupostos do exemplo). Residual?!

Além de que, teoricamente, uma redução de custos provocada pela descida deste encargo, poderá resultar num aumento da colecta em sede de IRC, de igual grandeza. Em teoria, a perda de receita para o Estado é menor do que se prevê, caso a empresa não resolva alocar ou absorver essa poupança na contratação de mais pessoal, no custeio de mais formação para os seus recursos humanos, na implementação de um modelo de gestão da qualidade, ou pura e implesmente no apoio à tesouraria.

Resta-nos o efeito dessa redução no «equilíbrio» de forças das diferentes categorias de «eventualidades». Não me parece um bicho de sete ou setecentas cabeças ajustar a forma como actualmente a taxa está desagregada, sobretudo se associarmos ao efeito da redução da receita outros factores: a redução do período de atribuição do subsídio de desemprego; o aumento da idade de reforma; o crescente recurso, por parte das famílias, a seguros de saúde, fora do sistema; o aumento do nível e da eficácia da fiscalização; e por aí fora.

O problema da TSU anda a ser disfarçado pela putativa «insignificância» da medida. A verdadeira questão, é outra: num Estado socialista, qualquer proposta de redução de impostos é anátema, com direito a desmaios, gritos e indignações se essa redução estiver associada às «entidades empregadoras», esse bando de malfeitores.
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